Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 5 de abril de 2016
Ao propor deportar todos os imigrantes sem vistos, erguer um muro na fronteira com o México e barrar a entrada de muçulmanos, o pré-candidato à Presidência americana Donald Trump despertou a ira de muitos estrangeiros que moram nos Estados Unidos. Isso não impediu que imigrantes brasileiros endossassem Trump em sua vitória na primária do Partido Republicano, na Flórida, resultado que o deixou bem perto de concorrer à eleição em novembro. “Ele não é contra o imigrante, ele é contra o imigrante ilegal”, diz a estudante brasileira Beatriz Coppola.
Registrada como eleitora republicana, ela votou em Trump na prévia da Flórida e integrou o grupo de voluntários da campanha do empresário nos arredores de Miami. “Não temos como bancar todas as pessoas que não estão pagando impostos e estão sugando a América”, justifica. Beatriz se tornou cidadã americana há alguns anos e votará para presidente pela primeira vez em novembro. A estudante pertence a um grupo minoritário – embora cada vez mais visível – de brasileiros nos Estados Unidos que professam ideais conservadores e rejeitam o Partido Democrata, dono dos votos da maioria dos imigrantes no país.
Até agora, os eleitores latino-americanos têm expressado preferência nas prévias pela pré-candidata democrata e ex-secretária de Estado Hillary Clinton, que disputa a vaga com o senador Bernie Sanders e ganhou a primária do partido na Flórida. O consulado do Brasil em Miami estima que 350 mil brasileiros morem no Estado. Grande parte do grupo está em situação migratória irregular, mas o número de brasileiros legalizados e capazes de votar tem crescido. Líderes comunitários esperam uma participação recorde desse público no próximo pleito. “A nossa comunidade fará uma grande diferença nas eleições deste ano”, crê Silair Almeida, pastor da Primeira Igreja Batista Brasileira de Pompano Beach.
Cidadania.
Só estrangeiros com cidadania americana podem se tornar eleitores. O voto é facultativo nos Estados Unidos. Almeida afirma que 80% dos fiéis brasileiros da igreja são cidadãos americanos e votarão em novembro. Na saída de um culto, a maioria dos brasileiros abordados dizia apoiar Hillary, mas alguns pregavam o voto em políticos republicanos por sua defesa de valores conservadores. “A família é uma instituição básica da sociedade. Não podemos abrir mão do casamento entre homem e mulher”, aponta o autônomo Márcio Rodrigues, que mora nos EUA há 28 anos e espera que o senador Ted Cruz (Texas) se torne presidente. As propostas de Cruz para a imigração são consideradas tão restritivas quanto as de Trump. “Como imigrante gostaria que todos os que moram aqui pudessem conseguir a cidadania, mas é preciso fechar as portas”, frisa Rodrigues.
“Não gosto do assistencialismo democrata”, diz a ex-trabalhadora doméstica Solange Colishesky. Nos EUA há quase três décadas, ela se diz entusiasta da “ideia de deixar o povo assumir mais [o poder] que o governo”. Reduzir a interferência do Estado e ampliar a autonomia dos cidadãos são pilares do Libertarianismo, corrente popular entre conservadores americanos. O grupo ficou fora da corrida presidencial com a desistência do senador Rand Paul.
Já a assessora jurídica Isabel Ferreira, militante do Partido Democrata, lidera um grupo de voluntários que ajuda brasileiros a se cadastrar como eleitores para votar em Hillary. Para ela, não há nenhuma razão para que imigrantes brasileiros votem em Trump. “Muitas pessoas estão frustradas consigo mesmas, querem ser ricas e encontraram um ídolo. Elas não estão pisando no chão”, confessa.
Almeida é mais direto: “Trump é um idiota: não respeita minorias, é racista, não sabe lidar com a diversidade e levará o país ao caos se ganhar”. O pastor diz que, embora rejeite posições de Hillary, ela é a candidata que melhor atenderia os interesses dos imigrantes.
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