Domingo, 12 de abril de 2026
Por Redação O Sul | 12 de abril de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Tenho uma particular “cisma” com as pesquisas eleitorais, pode parecer algo inocente da minha parte, mas acredito na assertiva:
O voto é secreto, não pode ser revelado antes do pleito.
Revelar a intenção do voto mesmo que seja de forma impessoal considero um erro, pois apesar de ser uma intenção individual, quando somada a outras tantas e tornada pública, este universo de votos não serão mais secretos foram revelados publicamente mesmo que de forma impessoal.
Acompanhe:
Se as intenções de voto forem apenas uma possibilidade, então o conjunto destas intenções, ou seja a pesquisa, não será a expressão da verdade, mas sim uma possibilidade tornada pública , algo não verdadeiro, portanto uma falsa verdade ou fake news, porém publicada.
Se ao contrário , a pesquisa se torna pública com a intenção do eleitor e esta se confirma como expressão da verdade, então os votos foram divulgados de forma antecipada que ainda será expressa pelo eleitor durante a votação.
As duas possibilidades:
Ou a pesquisa não é expressão da verdade, portanto um “erro” ou uma mentira que ainda não aconteceu ou foi revelado antes da apuração.
Em minha opinião, considero que as pesquisas eleitorais se prestam muito mais como indutoras dos eleitores que tendem a votar com a maioria ou no expediente do voto útil e não por sua própria consciência.
Claro que podemos dizer em quem iremos votar, mas publicar isso como “tendência do eleitorado” abre a possibilidade de manipulação ou indução ao voto útil.
O ” efeito pesquisa” condiciona os eleitores que de uma forma geral acreditam nas pesquisas como expressão da verdade.
A única forma de desmenti-la é com a realização de uma nova pesquisa.
Há quem afirme que pesquisas são sempre um retrato do momento.
Ora, seria o retrato do momento, se na próxima pesquisa, as pessoas que foram pesquisadas fossem as mesmas.
Isto é impossível, são outros os entrevistados e os locais de pesquisa, tudo se torna muito manipulável, mas absolutamente dentro da lei!
Não há como mensurar flutuações de intenção de voto pesquisando pessoas que não fizeram parte do universo das pesquisas anteriores.
O certo é que:
Um candidato que estiver mal nas pesquisas não será eleito, pois ninguém quer votar em quem não tem chances.
Ahh !! Não vou desperdiçar meu voto!
É o que mais se ouve.
Este é o pensamento corrente e sabemos disto e isto é fato!
Sendo assim, o eleitor quando pesquisado sempre tende a responder que seu candidato preferido é o que está entre os melhores.
Até as pedras da rua sabem que os brasileiros se valem do expediente do voto útil baseado em pesquisas, seja por não querer desperdiçar o voto ou por rejeição a outro candidato que ele (eleitor) não simpatiza.
Ou seja, escolhe o candidato que não é o seu preferido de sua consciência, para evitar que outro seja o eleito, pois seu preferido não tem chances de acordo com as pesquisas.
Me diga:
Qual o interesse em publicar antecipadamente uma “possível” preferência dos eleitores?
Que ganhamos com isso? Qual o propósito?
Por que não deixar o processo seguir o destino natural de escolhas?
Sem intervir, e depois sim, fazer as avaliações sociológicas.
Foi atribuída ao imperador Júlio César a frase “Alea jacta est “, ( A sorte está lançada), dita aos seus soldados, ao cruzar o rio Rubicão e se prepararem para enfrentar as consequências.
Assim deveriam ser nossas eleições, sem indução do eleitorado, só sua consciência política e deixar que as urnas revelem o resultado.
Alguns entendem que pesquisas são um elemento que faz parte do processo eleitoral
Responda honestamente a esta pesquisa:
Você considera que as pesquisas eleitorais fazem parte do jogo eleitoral?
( ) SIM ( ) NÃO
Você considera que mesmo legais as pesquisas influenciam os eleitores em sua tomada de decisão na escolha de candidatos?
( ) SIM ( ) NÃO
Talvez um dia seja melhor avaliado a divulgação de pesquisas de intenção dos eleitores.
Por hora, o único recurso é não tomar conhecimento justamente para não se condicionar antecipadamente do que pode ser uma distorção da realidade que pode alterar os resultados.
Rogério Pons da Silva
Jornalista e empresário
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
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