Sexta-feira, 15 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 14 de maio de 2026
Os chanceleres do Brics se reuniram nessa quinta-feira (14), na Índia, em meio à escalada da guerra no Oriente Médio e aos impactos da crise do petróleo sobre a economia global. Participaram do encontro ministros das Relações Exteriores de países como Rússia, Irã, Brasil, China e África do Sul. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, também foi a Nova Délhi. O ministro das Relações Exteriores do Brasil foi recebido pelo primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi.
A reunião ocorre em um momento de tensão internacional, marcado pelos conflitos envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã, além da instabilidade nas rotas marítimas do Golfo Pérsico, especialmente após o bloqueio do Estreito de Ormuz — uma das principais vias de transporte de petróleo do mundo.
Antes das reuniões fechadas, o ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, afirmou que o cenário internacional vive um período de “considerável transformação”.
“Os conflitos em curso, as incertezas econômicas e os desafios em comércio, tecnologia e clima estão moldando o cenário global”, declarou.
Segundo ele, há uma expectativa crescente de que o BRICS tenha um papel “construtivo e estabilizador”, sobretudo entre países emergentes e em desenvolvimento.
O grupo foi criado em 2009 por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul como um fórum de articulação entre grandes economias emergentes. Nos últimos anos, o bloco foi ampliado e passou a incluir países como Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
A expansão, porém, aumentou divergências internas, especialmente em temas ligados ao Oriente Médio. Irã e Arábia Saudita, por exemplo, estão em lados opostos do conflito regional.
Entre os participantes da reunião estão o chanceler russo, Sergei Lavrov, e o ministro iraniano Abbas Araghchi.
As tensões no Golfo têm provocado volatilidade nos preços do petróleo e do gás, aumentando a pressão sobre economias dependentes da importação de energia, como a Índia. O país obtém quase metade do petróleo bruto que consome por meio do Estreito de Ormuz e também depende da rota para importar fertilizantes.
Nesta sexta-feira (15), entram na pauta da reunião dos Brics a “inovação e sustentabilidade” nas duas décadas do bloco; e as reformas da governança global e do sistema multilateral.
O bloco reúne onze dos principais mercados emergentes e países em desenvolvimento do mundo. Outros dez países aderiram como parceiros no ano passado. Juntos, eles representam quase a metade da população mundial, 40% do PIB e 26% do comércio em todo o mundo. As informações são das agências de notícias AFP e Reuters.
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