Segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 25 de dezembro de 2018
Maior produtor e exportador mundial de café do mundo, o Brasil já desponta também como maior consumidor global da bebida. O consumo médio por ano alcançou 839 xícaras por pessoa e o gasto médio anual com café, de R$ 113/ano, é maior do que o brasileiro gasta nas farmácias com remédio.
O País deve fechar este ano com um consumo de 23,9 milhões de sacas (60kg), 3,5% a mais do que em 2018, segundo dados da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café). Uma pesquisa realizada pela Euromonitor International traz dados curiosos sobre o jeito brasileiro de beber seu cafezinho.
“O setor cafeeiro é o melhor exemplo a ser seguido pelos demais segmentos do agronegócio”, diz o economista José Roberto Mendonça de Barros. “Quando eu me formei, há 50 anos, beber café era um hábito de velho”, diz Mendonça de Barros.
O café não só soube se rejuvenescer como também se tornou um produto sofisticado como o vinho. Hoje há vários tipos e origens da bebida e várias formas de se preparar e beber.
“Os produtores investiram em produtividade, qualidade e sustentabilidade; as indústrias entraram com as novas tecnologias, como as cápsulas; as cafeterias se espalham pelo País, conquistando o paladar dos jovens; e no varejo podem ser encontradas dezenas de marcas de cafés top, inclusive dos cafeicultores.”
O diretor-executivo da Abic, Nathan Herszikowicz, diz que além do brasileiro estar consumindo cafés de melhor qualidade, ele (que é mais jovem, com idade entre 16 e 25 anos) também está mudando os padrões de compra. “Há um movimento grande no mercado de consumidores que não adquirem mais o café torrado e moído. Eles estão comprando, além de cápsulas, cafés em grãos torrados, preparando seus próprios blends, e moendo em casa”, diz.
O consumidor brasileiro também está experimentando novas formas de consumir cafés, como o cold brew, a infusão do pó a frio, gerando uma bebida menos amarga que ressalta a doçura dos grãos e é servida gelada. Outra tendência observada, mas ainda sem números concretos, é a verticalização dos produtores. “O setor está observando uma mudança importante no mercado, que são os produtores que estão investindo na verticalização, são aqueles que plantam, beneficiam e vendem no varejo seu próprio café, com valor agregado”, diz Herszikowicz.
China tem crescimento do consumo de café
O consumo de café na China, na última década, teve um aumento bastante expressivo ao atingir volume equivalente a 3,8 milhões de sacas de café no ano-cafeeiro 2017-2018.
Esse número que representa aumento superior a mil por cento (1.032%) em relação ao volume consumido em 2008-2009, que foi de 300 mil sacas. Tal incremento pode ser atribuído principalmente ao expressivo crescimento econômico do país nas últimas décadas, o que tem proporcionado elevação do padrão médio de consumo da população, inclusive aumento da demanda por café.
Vale destacar que o consumo de café na China, objeto desta análise, que é o país mais populoso do mundo, com 1,4 bilhão de habitantes, a despeito de ter registrado esse crescimento, ainda tem elevado potencial de expansão, pois projeções da melhoria do rendimento médio dos chineses estimam que por volta de 600 milhões de pessoas comporão a classe média do país em 2022.
No contexto da cafeicultura mundial, os três maiores consumidores, na temporada 2017-2018, foram a União Europeia, com 45 milhões de sacas, Estados Unidos – 25,9, e Brasil de 22,3 milhões de sacas.
Com base no potencial de crescimento e nas mudanças de hábitos de consumo verificados na China nas últimas décadas, sem dúvida, constata-se que o país se transformará em um dos maiores mercados consumidores de café do mundo.
Tais fatores estão motivando multinacionais do setor a se posicionarem de forma a atender o mercado Chinês, com a instalação de novas torrefadoras e cafeterias no país, além da expansão das empresas que já estão estabelecidas.
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