Sábado, 10 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 15 de fevereiro de 2022
“Cada nação é livre para escolher suas relações bilaterais. Esse é um direito soberano, que a Otan respeita plenamente.” Foi como a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) respondeu nesta terça-feira (15) sobre a visita do presidente Jair Bolsonaro a Moscou (Rússia) e se isso poderia ter influência na aproximação do país com essa que é a maior aliança militar do mundo.
Um representante da Otan destacou que “o Brasil não é um parceiro da organização e como tal não temos um acordo de parceria. No entanto, o Brasil é um participante regular dos cursos da Otan”.
“Com relação às tensões atuais com a Rússia, a Otan acredita firmemente que as tensões devem ser resolvidas através da diplomacia”, acrescentou o representante da organização. “É por isso que continuamos a trabalhar por uma solução política. Também continuamos a consultar estreitamente nossos parceiros, incluindo organizações regionais e internacionais. A Rússia ainda pode optar por desescalar, recuar suas forças e seguir um caminho político.”
Na segunda-feira, enquanto Bolsonaro voava para Moscou, o presidente da Colômbia, Ivan Duque, era recebido na sede da Otan, em Bruxelas, em plena movimentação ocidental para contrapor-se a uma invasão russa na Ucrânia. A Colômbia tornou-se um parceiro da organização em 2017, e é o primeiro na América Latina. Há dois meses, os dois lados acertaram um novo programa de parceira, que lançou as bases para uma cooperação reforçada em áreas como mudança climática e segurança.
Além da situação na Rússia, Duque e o secretário-geral da organização militar, Jens Stoltenberg, abordaram o aprofundamento da cooperação entre a Rússia e a China, incluindo seu apoio ao “regime repressivo da Venezuela”. “Concordamos que todas as partes devem desempenhar um papel construtivo para a paz e estabilidade regional”, disse o secretário-geral em comunicado.
O presidente colombiano foi recebido nesta terça no Parlamento Europeu, em Bruxelas, onde enfatizou que “a Europa necessita da América Latina e a América Latina necessita da Europa”. E prometeu que a Colômbia acompanhará as sanções que forem adotadas em nível internacional sobre a Rússia, em caso de agressão militar contra a Ucrânia.
Para o Otan, o aprofundamento das relações com parceiros com os mesmos interesses em todo o mundo, como a Colômbia, é parte essencial de sua agenda para a Cúpula de Madri em junho de 2030, a fim de enfrentar os desafios de segurança global, diz comunicado da organização.
No ano passado, Stoltenberg reiterou que a organização militar precisava trabalhar mais com parceiros como a Austrália, Japão, Nova Zelândia e Coreia do Sul. E “também para alcançar novos parceiros potenciais, como o Brasil e a Índia”.
Em agosto de 2019, o governo brasileiro comemorou ter recebido a designação do país como “aliado prioritário extra-Otan”. Um status formalizado por Donald Trump, então presidente dos EUA. Discussões para um acordo de parceria com a organização militar então foram colocadas no radar.
Ao desembarcar nesta terça em Moscou, na delegação presidencial, o ministro da Defesa, general Walter Braga Neto, insistiu que a viagem de Bolsonaro não atrapalhará a parceria do Brasil com a Otan. “Não [atrapalha], são coisas distintas. Você conversa com todos os países do mundo. Nós continuamos parceiros da Otan, temos interesse também aqui como todo país. O país está sempre aberto à negociação”, disse ele. As informações são do jornal Valor Econômico.
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