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Acontece Cães e gatos que comem grama: hábito ancestral ou sinal de alerta

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Anninha Pinto, da Skinvet Dermatologia Veterinária, destaca que o consumo de grama é um comportamento natural, mas requer atenção do tutor.

Foto: Arquivo pessoal.
Anninha Pinto destaca que o consumo de grama é um comportamento natural, mas requer atenção do tutor. (Foto: Arquivo pessoal)

Veterinária Anninha Pinto explica por que cães e gatos comem grama, hábito ancestral que auxilia na digestão, mas exige atenção a sinais de compulsividade e riscos de contaminantes.

Flagrar um cachorro pastando no quintal ou um gato mordiscando um vasinho de plantas é uma cena comum, mas que ainda gera dúvidas entre tutores. Para entender melhor esse comportamento, conversamos com a médica veterinária Anninha Pinto, da Skinvet Dermatologia Veterinária, especialista em dermatologia e atendimento domiciliar, que acompanha de perto cães e gatos em situações de rotina e saúde.

Segundo Anninha, o hábito tem raízes ancestrais. “Os cães e lobos da natureza já consumiam fibras vegetais. Esse comportamento foi herdado e ainda hoje se manifesta nos nossos pets.” Ela explica que, mesmo sendo carnívoros, cães e gatos mantêm a necessidade de ingerir fibras vegetais como complemento.

A veterinária detalha que a grama é rica em fibras e pode auxiliar no trânsito intestinal. “A grama fornece fibras que ajudam na digestão. Muitas vezes, o animal recorre a ela para mobilizar alimentos dentro do intestino ou até provocar o vômito e eliminar algo que não lhe fez bem.” Nos gatos, esse hábito tem ainda uma função adicional: ajudar na eliminação das bolas de pelo, seja pelas fezes ou pelo vômito.

Além da questão fisiológica, há componentes comportamentais. “O animal pode estar consumindo grama porque está com fome, por ansiedade ou simplesmente por tédio. É importante observar se o hábito é ocasional ou se se torna compulsivo.” Estudos recentes confirmam que cerca de 80% dos cães comem grama ocasionalmente, e em gatos o comportamento também é observado, embora com menor frequência.

Anninha alerta que o perigo real não está na folha em si, mas no que pode vir junto. “O risco maior está nos pesticidas e contaminantes. Fertilizantes, venenos e até ovos de parasitas podem transformar um hábito natural em um problema sério.” Por isso, ela recomenda que tutores estejam atentos ao ambiente e evitem gramados tratados com químicos.

A especialista reforça que o olhar atento do tutor é fundamental. “Se o consumo for compulsivo, é hora de procurar o veterinário. Quando o pet busca grama a todo momento, isso pode indicar desconforto gastrointestinal ou até ansiedade.”

Para os tutores que desejam oferecer uma opção sem riscos, Anninha sugere: “Existe a graminha específica vendida em lojas agropecuárias. É uma opção segura, que pode ser plantada em casa e oferecida sem risco de contaminantes.”

Pesquisadores apontam que o hábito pode estar ligado a mecanismos evolutivos de autopurificação do organismo. Em cães, há indícios de que mastigar grama libera endorfinas, ajudando a reduzir o estresse. Em gatos, além da digestão, o consumo de grama pode fornecer micronutrientes como ácido fólico, importante para a produção de hemoglobina. (Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

* Veterinaria Anninha Pinto da Skinvet Dermatologia Veterinária  –  @anninhamedvet.

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