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Política Caiado reforça investida e diz que seria mais competitivo do que Flávio Bolsonaro em um 2º turno contra Lula

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Candidato do PSD afirma que lançamento da candidatura do filho de Bolsonaro desceu a um "nível rasteiro". (Foto: Divulgação/PSD)

O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, vai reforçar a retórica do voto útil na eleição deste ano, sustentando o argumento de que seria mais competitivo do que Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Caiado voltou a criticar o senador, dizendo que a convenção nacional do PL desceu a um “nível rasteiro”, sem se preocupar em discutir propostas para o País.

O obstáculo para a estratégia de Caiado, porém, é o fato de que, para chegar à etapa do voto útil, o ex-governador de Goiás precisaria, antes, avançar no primeiro turno, e as pesquisas de intenção de voto mais recentes não oferecem sustentação para tamanho otimismo.

Entusiastas da campanha presidencial de Caiado minimizam o cenário atual, que o coloca em quarto lugar em alguns levantamentos. O grupo se agarra a um paralelo com viradas históricas eleitorais no País. O Brasil teve nove eleições após a redemocratização. Em quatro delas, houve mudanças significativas entre julho e outubro sobre o quadro de segundo turno.

Lula, por exemplo, estava em terceiro lugar em 1989, mas superou Leonel Brizola (PDT) e enfrentou Fernando Collor (então no PRN). Em 2002, Ciro Gomes (à época no PPS) foi ultrapassado por José Serra (PSDB). Em 2014, foi a vez de Aécio Neves (PSDB) sair do terceiro para o segundo lugar. E, em 2018, Fernando Haddad (PT) foi do quinto para o segundo posto.

O contexto de cada uma dessas disputas, no entanto, era bastante diferente do cenário atual no que diz respeito à divisão e à consolidação de forças entre esquerda e direita. Caiado está decidido a seguir com sua estratégia em duas frentes: criticar a gestão Lula e tentar atrair votos de Flávio, chamando-o para o confronto direto.

“Perdeu”

Na última quarta (29), ele mirou o evento que oficializou a candidatura de Flávio, no último sábado. A convenção do PL foi marcada pela participação do presidente da Argentina, Javier Milei, e pela exibição de um avatar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), criado por inteligência artificial, pedindo apoio ao filho. Na ocasião, Milei fez críticas a Lula e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, e as declarações acarretaram uma crise diplomática entre os países.

“Foi uma convenção em que o candidato perdeu com a Argentina e perdeu com um avatar. Então, ali não tinha a presença do candidato. Não tinha proposta. E, o pior, desce a um nível tão rasteiro de agressão que, de repente, ao invés de discutir os temas nacionais, nós estamos discutindo problemas de agressão aos Estados Unidos com a Argentina”, disse Caiado em Brasília, após reunião com a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ).

O candidato do PSD também afirmou que “quem governa não herda liderança”, ao se referir ao vídeo com uso de IA com a imagem de Bolsonaro. A defesa do ex-presidente informou ontem ao Supremo que ele não tinha conhecimento prévio sobre o vídeo exibido na convenção do PL.

Vice de Caiado na chapa, Gilberto Kassab reforçou a investida e declarou que o evento nacional do PL fugiu dos objetivos esperados pela sociedade. “Eu vi com muito espanto a convenção”, afirmou o presidente nacional do PSD.

Na campanha de Flávio, porém, a movimentação é tratada com certo desdém, e aliados ironizam, avisando que o “Zero Um não vai aceitar o convite para dançar”. Como observam interlocutores do senador, ele não pretende aceitar a provocação.

Por ora, a movimentação de Caiado é vista com distanciamento e pragmatismo na campanha bolsonarista. A leitura interna é a de que o candidato do PL já parte de um piso mínimo de 30% dos votos consolidados, “mesmo se houver uma hecatombe”, segundo um dos integrantes do seu QG. Ou seja, isso o consolida como o único nome da direita com potencial de garantir vaga no segundo turno no atual momento, na avaliação de seu grupo.

Logo, esses interlocutores concluem que Caiado terá de buscar votos de Romeu Zema (Novo), que também aparece empatado com Lula em um segundo turno, além de Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e outros nomes do mesmo espectro político. Ou seja, até o momento, o goiano não é considerado uma ameaça real à candidatura de Flávio, que enfrenta desafios mais urgentes na construção de sua chapa.

O objetivo mais imediato é tentar uma coligação que garanta maior tempo na propaganda de rádio e TV e fechar uma indicação de vice que agregue densidade ou ajude a reduzir sua rejeição. Flávio insiste em diálogos com o Republicanos, que tem Daniella Marques cotada para a vaga de vice; com a federação União Brasil-PP, em tentativas de indicar Simone Marquetto; e com o Podemos, em tratativas com Renata Abreu – embora este contribua pouco para o tempo de propaganda. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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