Domingo, 04 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 17 de janeiro de 2018
O presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi, definiu nesta quarta-feira (17) os interinos que vão ocupar as vagas deixadas pelos quatro vice-presidentes do banco afastados pelo presidente Michel Temer na terça (16).
De acordo com a Caixa, os interinos vão atuar por 30 dias. Após esse período, se for necessário manter o afastamento, os substitutos serão designados pelo Conselho de Administração do banco.
Veja qual interino vai para cada função
Vice-presidência de Corporativo
Afastado: Antônio Carlos Ferreira
Entra: Luiz Gustavo Silva Portela (diretor de Banco Corporativo)
Vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias
Afastada: Deusdina Pereira
Entra: Valter Gonçalves Nunes (diretor de Fundos de Governo)
Vice-presidência de Cliente, Negócios e Transformação Digital
Afastado: José Henrique Marques da Cruz
Entra: Ademir Losekann (diretor de Clientes e Canais)
Vice-presidência de Governo
Afastado: Roberto Derziê de Sant’Anna
Entra: Roberto Barros Barreto (diretor de Serviços de Governo)
O Planalto já estaria admitindp que os afastamentos, inicialmente provisórios, serão definitivos.
Auxiliares diretos do próprio presidente Michel Temer afirmam que a intenção inicial de se estabelecer um afastamento provisório por 15 dias foi apenas uma solução política, a fim de se evitar um impacto maior entre os partidos aliados. Mas o decreto presidencial publicado posteriormente não estipula prazo.
O consenso no núcleo do governo é o de que não há mais ambiente para que esses executivos da Caixa possam retornar aos seus cargos.
Afastamento
Por suspeitas de irregularidades na Caixa, o MPF havia feito uma recomendação para que Temer afastasse os 12 vice-presidente do banco. Num primeiro momento, a Casa Civil e a a Caixa rejeitaram a recomendação.
Os procuradores, porém, reforçaram o pedido ao encaminhar ao presidente um ofício, no qual afirmaram que Temer poderá ser responsabilizado, na esfera cível, por ilícitos que eventualmente venham a ser cometidos pelos vice-presidentes da Caixa. Após esse ofício, Temer optou por afastar os quatro que já são investigados.
Entenda
Em dezembro, procuradores responsáveis por investigar esquemas de corrupção enviaram recomendação à Presidência da República e à Caixa Econômica Federal solicitando que todos os 12 vice-presidentes do banco fossem demitidos, já que pelo menos quatro deles estão na mira da PF.
Após Temer rejeitar inicialmente a recomendação, o MPF e o Banco Central enviaram novos pedidos solicitando que os dirigentes fossem afastados.
Com isso, o presidente voltou atrás, mas decidiu afastar apenas os vice-presidentes investigados.
Procuradores chegaram a enviar um ofício afirmando que o presidente poderia ser responsabilizado, na esfera cível, por ilícitos que eventualmente viessem a ser cometidos pelos vices da Caixa.
Quais são as suspeitas dos investigadores?
Investigações conduzidas pelo MPF (Ministério Público Federal) e pela Polícia Federal apontam irregularidades cometidas no banco, como corrupção e o favorecimento de grupos políticos e de empresas.
Por que partidos políticos indicam os executivos da Caixa?
Tanto o MPF quanto a PF afirmam que dirigentes indicados por partidos atuavam para atender a interesses de políticos e de empresários em operações financeiras da Caixa.
Embora sejam funcionários de carreira da Caixa, os quatro vice-presidentes afastados foram indicados para os cargos por partidos políticos da base governista (PR, PRB, PP e PMDB).
O próprio presidente da Caixa, Gilberto Occhi, é indicado por um partido, o PP. Mas, para Occhi, não se pode “satanizar” as indicações políticas.
Em troca de acolher indicados políticos, o Planalto espera que parlamentares desses partidos votem a favor de matérias de interesse do governo no Congresso.
Um dos vice-presidente afastados, Antonio Carlos Ferreira, disse aos investigadores que sofria pressão do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atualmente preso, que exigia dele prestação de contas semanal informações semanais sobre operações do banco superiores a R$ 50 milhões que ajudariam a “rentabilizar” seu mandato de deputado.
O que é investigado?
As principais frentes de investigação apuram: desvio de recursos de fundos de pensão de bancos públicos e de estatais (Operação Greenfield); liberação de recursos do FI-FGTS (Fundo de Investimentos do FGTS) em troca de propina (Operação Sépsis); e fraudes na liberação de créditos da Caixa em troca de propina (Operação Cui Bono?).
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