Domingo, 01 de novembro de 2026
Por Redação O Sul | 1 de novembro de 2026
A iniciativa começou a ser discutida depois do primeiro turno da disputa
Foto: Antonio Cruz/Agência BrasilLíderes da Câmara dos Deputados e presidentes de partido articulam e pretendem retomar a tramitação de uma proposta que altera a forma de escolha dos deputados e institui o chamado sistema distrital misto. O principal objetivo é frear a perda de espaço de partidos de centro no parlamento, após o crescimento do Partido Liberal (PL) nas eleições de 2026, que diminuiu o espaço de partidos do Centrão na Câmara e ampliou o espaço da ala bolsonarista.
A votação da proposta ainda está em negociação, mas a ideia é que as mudanças nas regras eleitorais comecem a valer integralmente nas eleições de 2034, com uma transição nas próximas eleições nacionais. A iniciativa começou a ser discutida depois do primeiro turno da disputa, ainda no início de outubro, em uma declaração do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), um representante do Centrão.
O PL terminou as eleições com 121 deputados, a maior bancada desde a Constituinte. Há quatro anos, o partido havia conseguido 99 deputados. Com o resultado deste ano, a sigla terá 23,6% das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados. Em contrapartida, o Centrão diminuiu sua presença. Perdeu 22 cadeiras em comparação com as eleições de 2022. Há entre os partidos do centro uma leitura de que mudanças precisam ser feitas para manter o poder dos partidos de centro.
Hugo Motta afirmou que pretende aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) instituindo o sistema distrital misto. A expectativa de líderes do centro é aprovar as mudanças ainda em 2026, ainda que admitam que as articulações estão somente no início. Motta dialoga ainda com o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), para agilizar a votação. Líderes esperam o apoio dos senadores porque as mudanças não afetam as eleições para eles. Mas o texto também ainda precisa de acordo na própria Câmara. Motta ainda tenta conseguir apoio do PT e do próprio PL.
O PL não tem interesse em mudar o sistema. Já entre os petistas, há resistência em alterar regras eleitorais logo depois de uma eleição acirrada. O medo é fornecer aos apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) o argumento de que há cerceamento ao partido bolsonarista. Outros parlamentares dizem ainda que a mudança é tardia, que o perfil do Congresso já foi alterado. O relator da PEC que ainda será apresentada deve ser o deputado Domingos Neto (PSD-CE), que já é o relator de um projeto de lei sobre o sistema distrital na Câmara.
Um dos pontos que ainda estão sendo negociados entre os líderes partidários é qual modelo será adotado. Atualmente, deputados são escolhidos de acordo com votos que eles e os seus partidos recebem. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realiza uma conta, chamada de quociente eleitoral, para definir quantos votos cada partido precisa para ter uma cadeira na Câmara dos Deputados. Esse modelo é chamado de sistema proporcional.
Essa fórmula acaba criando os chamados “puxadores de votos” — um candidato que recebe muitos votos e, indiretamente, contribui para a eleição de candidatos que não obtiveram o número suficiente de votos. Neste ano, votações expressivas em deputados como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP) puxaram outros candidatos de seus partidos.
No sistema distrital, cada estado brasileiro é dividido em distritos. Cada distrito elege um número específico de deputados. Os moradores dessa determinada região poderão votar apenas nos candidatos do distrito em que vivem. São eleitos os candidatos mais votados no distrito.
Mas, buscando manter uma parte do poder dos partidos no processo eleitoral, os deputados estudam criar um modelo misto:
* metade das vagas do distrito ficaria com os mais votados;
* a outra metade seria distribuída seguindo uma lista de candidatos definida previamente pelos partidos. As vagas seriam divididas de acordo com a quantidade de votos que as siglas conseguirem. Por exemplo: se um partido obtém votos para eleger quatro deputados, são eleitos os quatro primeiros nomes da lista.
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