Quinta-feira, 08 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de fevereiro de 2019
Fortes confrontos ocorreram na tarde deste sábado (23) nas fronteiras venezuelanas com o Brasil e a Colômbia, quando caminhões e manifestantes tentaram romper os bloqueios militares para fazer entrar a ajuda humanitária enviada pelos Estados Unidos. Um caminhão que levava mantimentos da Colômbia para a Venezuela foi queimado perto da fronteira, segundo imagens de um canal de TV venezuelano. Nuvens de fumaça negra subiram e se espalharam pelo ar. Uma multidão tentou retirar as caixas com os suprimentos de um segundo caminhão, mostram as imagens.
Em Pacaraima (RR), divisa do Brasil com Venezuela, segundo moradores, forças de segurança impediram manifestantes de se aproximar da fronteira com bombas de gás lacrimogêneo. Antes, militares e policiais lançaram gás lacrimogêneo e balas de borracha contra os manifestantes, deixando ao menos seis feridos, nas pontes Simón Bolívar e Santander, que ligam a cidade colombiana de Cúcuta a San Antonio e Ureña, na Venezuela.
Na linha de frente, os manifestantes jogavam pedras para tentar forçar o recuo dos militares. A fronteira entre os dois países foi fechada na noite de sexta por ordem de Nicolás Maduro. Os feridos são manifestantes que faziam parte de uma “corrente humanitária” para fazer passar a assistência.
“Eles começaram a disparar à queima roupa como se fôssemos criminosos”, afirmou o lojista Vladimir Gomez, de 27 anos, à agência de notícias Reuters, com uma camiseta branca manchada de sangue.
“Sou dona de casa, estou aqui lutando pela minha família, por meus filhos, por meus pais, resistindo ao gás lacrimogêneo dos militares”, afirmou à Reuters Sobeida Monsalve, de 42.
Ambulâncias
Duas ambulâncias da Venezuela cruzaram a fronteira em direção ao Brasil na tarde desde sábado (23). Uma por volta das 14h45min e a segunda por volta de 16h15min, no horário de Brasília. Até as 16h30min, o Hospital Délio de Oliveira Tupinambá, em Roraima, havia recebido quatro pessoas feridas por balas vindas da Venezuela.
De acordo com Thomas Silva, representante do governo do líder opositor Juan Guaidó, houve conflitos na cidade de Santa Elena, mas ainda não informações sobre mortos e feridos. “A última informação que temos é que há enfrentamentos, mas nada certo”, afirmou.
Antes da chegada destas ambulâncias, os hospitais de Roraima já haviam recebido 13 venezuelanos feridos após o fechamento da fronteira. De todos, oito ainda estão internados em Boa Vista. Os demais receberam alta e foram liberados, informou em nota neste sábado (23) a Secretaria Estadual de Saúde.
Entre os feridos atendidos, nove são indígenas e vítimas do confronto com militares em Kumarakapay. Os outros quatro ainda não se sabe oficialmente em que circunstâncias foram machucados.