Sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 12 de outubro de 2025
Profissionais gaúchos do segmento de cardiologia lançam nesta segunda-feira (13) uma campanha de conscientização sobre doenças das quatro válvulas do coração. Promovida pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular em parceria com a Clínica Saadi, a ação inclui peças informativas na mídia convencional e nas redes sociais. O objetivo é alertar para a importância da prevenção primária e diagnóstico precoce na população idosa (a partir dos 60 anos).
Intitulada “Ouça seu coração”, a iniciativa está conectada aos preparativos do Congresso Gaúcho de Cardiologia, que será realizado de 16 a 18 de outubro no Centro de Eventos Wish Serrano, em Gramado. Também precede o Simpósio Internacional TVI – Transcatheter Valve Intervention (“Intervenção de Válvula Transcateter, em português”) de 5 a 7 de novembro, no Centro de Eventos do Barra Shopping, em Porto Alegre.
Dentre as atividades previstas para o Simpósio TVI, em Porto Alegre, estão práticas com simuladores para manipulação de equipamento, além da transmissão, em tempo real, de operações de média e alta complexidades a serem realizadas em sete países. Os especialistas presentes no evento farão análises e comentários de cada procedimento.
“A terceira edição do TVI contribui de forma significativa para o aprimoramento dos cuidados e estratégias de cura das valvulopatias no cenário global”, ressalta o cirurgião cardiovascular Eduardo Keller Saadi, coordenador da campanha e presidente eleito da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular para o biênio 2026–2027.
Com uma experiência que abrange mais de 12 mil cirurgias cardíacas (incluindo cerca de 2 mil por cateter), ele acrescenta: “O primeiro passo é simples. Basta o médico ouvir o coração com um estetoscópio. Surgindo anormalidade, um ecocardiograma pode confirmar a suspeita. Se for indicada intervenção, há tratamentos modernos e seguros como cirurgias minimamente invasivas, com técnicas endovasculares por transcateter, que não exigem cortes e nem anestesia geral, permitindo uma rápida recuperação”.
Saiba mais
Sintomas como falta de ar, cansaço, inchaço nas pernas e até desmaios costumam ser interpretados pelo idoso e familiares como “normais da idade”. Porém, muitas vezes, são causados por degeneração das válvulas por envelhecimento afetando o fluxo sanguíneo. É necessário tratamento porque o coração se esforça muito para compensar e bombear o sangue.
A incidência de lesão nas válvulas é muito alta. Hoje, cerca 10% das pessoas com mais de 70 anos de idade são acometidas, sendo que muitas nem sabem. E, cresce o número de casos devido ao prolongamento da longevidade no Brasil. Embora seja mais comum em idosos devido ao desgaste, algumas condições podem afetar também crianças e jovens.
Campanhas para precaução com pressão alta, infarto e AVC (Acidente Vascular Cerebral) já estão consolidadas no Brasil, mas a maioria da população desconhece as fragilidades das válvulas aórtica, mitral, tricúspide e pulmonar. Torna-se então indispensável a divulgação do tema, com foco em uma abordagem cuidadosa e no monitoramento constante: se não detectadas e tratadas, o problema pode levar a complicações graves como insuficiência cardíaca, arritmias e até morte súbita.
Os exames preventivos e identificação antecipada são essenciais para minimizar os danos e determinar a melhor conduta que pode incluir medicamentos. Ou, em casos mais graves, técnicas tradicional ou percutânea com cateter para substituir a válvula afetada.
O Sistema Único de Saúde (SUS) já incorporou o TAVI – Implante Percutâneo de Válvula Aórtica para pacientes com mais de 75 anos com estenose aórtica grave que são inoperáveis ou de alto risco cirúrgico. O estreitamento dessa válvula cardíaca é um dos tipos de valvulopatias mais comuns e preocupantes devido às complicações. Cerca de 270 mil pessoas acima 70 anos sofrem de estenose aórtica grave no Brasil.
(Marcello Campos)
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