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Mundo Cardeal assessor do papa chega à Austrália para enfrentar as acusações de abuso sexual

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George Pell, em foto de março de 2013. (Foto: Reuters)

Um importante cardeal do Vaticano acusado na Austrália de múltiplos crimes sexuais chegou nesta segunda-feira (10) a Sydney, antes de sua primeira audiência sobre o caso no final deste mês.

O meio de comunicação australiano Nine Entertainment transmitiu um vídeo do cardeal George Pell saindo rapidamente do aeroporto de Sydney na manhã desta segunda-feira.

A polícia australiana disse no mês passado que Pell, um importante assessor do papa Francisco, enfrenta múltiplas acusações de “crimes sexuais históricos” apresentadas por diversos denunciantes.

Pell, que é o ministro da Economia do Vaticano, se tornou a autoridade de cargo mais alto da igreja a enfrentar acusações desse tipo. O cardeal se declarou inocente e disse que voltaria para a Austrália para limpar seu nome.

A Arquidiocese Católica de Sydney disse nesta segunda-feira que o retorno de Pell “não deveria ser uma surpresa” porque ele já havia dito que voltaria para se defender contra as acusações.

A arquidiocese disse em comunicado que Pell “consultou seus médicos e com suas orientações tirou diversos dias para voltar para casa, quebrando sua viagem em diversos locais para evitar voos de longos trajetos”.

Pell havia dito estar muito doente para voar para casa para testemunhar em uma investigação governamental sobre abuso infantil em 2016.

O cardeal terá uma audiência em Melbourne no dia 26 de julho.

“Falsas acusações”

O cardeal George Pell, prefeito da Secretaria para a Economia da Santa Sé, rejeitou no dia 29 o que considerou como “falsas acusações” de abusos sexuais de menores, caso que foi parar no tribunal, na Austrália.

O antigo arcebispo de Sidney falou aos jornalistas, na sala de imprensa da Santa Sé, após ter sido intimado a comparecer em tribunal a 18 de julho pelas autoridades do seu país natal.

“Espero ansiosamente pelo dia em que poderei defender diante do tribunal. Estou inocente, as acusações são falsas e considera a própria ideia de abuso sexual um crime horrível”, disse aos jornalistas.

O cardeal Pell falou num “assassinato de caráter” e revelou ter informado o Papa sobre a evolução das investigações, agradecendo a Francisco por lhe conceder uma “licença” das suas atuais funções para poder defender-se na Austrália.

O porta-voz do Vaticano, Greg Burke, anunciou em seguida que o cardeal Pell vai estar, de agora em diante, ausente de celebrações litúrgicas públicas, a começar já pela Missa de hoje, na Praça de São Pedro, na festa dos apóstolos Pedro e Paulo.

A Santa Sé emitiu um comunicado, lido aos jornalistas, no qual lamenta a notícia da acusação, relativa a fatos acontecidos “há algumas décadas”.

“Colocado ao corrente do procedimento, o cardeal Pell, no pleno respeito pelas leis civis e reconhecendo a importância da sua própria participação para que o processo possa decorrer de forma justa e favorecer a busca da verdade, decidiu regressar ao seu país para enfrentar as acusações”, revela a nota.

O texto sublinha o apreço do Papa Francisco pela “honestidade” do cardeal Pell nos seus três anos de trabalho na Cúria Romana, tanto na Secretaria para a Economia como no Conselho de Cardeais, organismo consultivo com representantes dos cinco continentes.

“A Santa Sé manifesta o seu máximo respeito pela justiça australiana, que tem de decidir relativamente às questões levantadas, e ao mesmo tempo lembra que o cardeal Pell condena, há décadas, de forma aberta e repetida os abusos cometidos contra menores como atos imorais e intoleráveis”, pode ler-se.

O cardeal Pell foi interrogado em Roma, pela polícia australiana, devido às acusações de abusos sexuais de menores, que tem negado sistematicamente, e intimado a comparecer no tribunal de primeira instância de Melbourne, a 18 de julho.

“É importante sublinhar que nenhuma das alegações contra o cardeal Pell foi ainda comprovada em tribunal”, realçou o comissário-adjunto da polícia do estado de Victoria, Shane Patton, aos jornalistas.

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