Segunda-feira, 05 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 3 de março de 2016
O cardeal George Pell, poderoso “ministro” da Economia do Vaticano, classificou nesta quinta-feira de “coincidência desastrosa” o fato de cinco sacerdotes terem abusado de menores ao mesmo tempo na cidade australiana onde atuava, e as vítimas o acusaram de mentir.
O cardeal australiano prestou depoimento pela quarta e última vez ante a Comissão Real para uma Resposta Institucional ao Abuso Sexual de Menores. Devido aos seus problemas cardíacos, o ex-bispo de Melbourne e depois de Sydney testemunhava por videoconferência a partir de um hotel de Roma (Itália).
Submetido às perguntas dos advogados que representam as vítimas de abusos cometidos por membros do clero, desmentiu ter cometido algum erro. A comissão se concentra atualmente na situação das cidades de Ballarat e Melbourne, no Estado de Victoria, onde o cardeal Pell cresceu e trabalhou, nos anos setenta e oitenta, quando sacerdotes pedófilos abusavam de dezenas de vítimas.
O eclesiástico, que revelou que o papa Francisco recebe diariamente um resumo das audiências, afirmou que ao menos dois arcebispos e outros membros da hierarquia católica o enganaram ao não informá-lo da situação. Falou de um “mundo de crimes e ocultações”. À pergunta sobre se tinha a impressão de ser vítima de uma caça às bruxas, o cardeal Pell respondeu: “Nunca disse nada semelhante, mas devo confessar que a ideia me passou pela cabeça”.
No entanto, o cardeal reconheceu que um jovem se queixou em 1974 do irmão Edward Dowlan. (AG)
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