Domingo, 24 de Janeiro de 2021

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Brasil Carrefour anuncia que investirá 25 milhões de reais em fundo contra o racismo

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A rede Carrefour também foi desligada por tempo indeterminado da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial. (Foto: Divulgação)

“O Grupo Carrefour Brasil está fortemente comprometido em lutar pelo combate ao racismo estrutural no país e promover ações afirmativas para a inclusão social e econômica de negros e negras na sociedade”, informou a companhia, em nota assinada por Noël Prioux, CEO do grupo francês no Brasil. O fundo terá aporte inicial de R$ 25 milhões.

O anúncio ocorre após a morte de João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos, assassinado por dois seguranças da rede de supermercados em uma das suas unidades de Porto Alegre.

“Sabemos que não podemos reparar a perda da vida do senhor João Alberto. Este movimento é o primeiro passo da empresa para que o combate ao preconceito e racismo estrutural, que é urgente no Brasil, ganhe ainda mais força e apoio da sociedade. Acreditamos que poderemos evoluir e contribuir para a construção de uma sociedade mais inclusiva e igualitária.”

A empresa afirmou ainda que nos últimos dias tem se reunido com especialistas e entidades representativas da causa para compreender e aprender sobre como atuar de forma concreta na luta contra discriminação, incluindo outros públicos além da população negra.

“A partir das reivindicações, a empresa anunciará na quarta-feira, 25 de novembro, os compromissos e o plano de ação do trabalho, que nortearão este fundo. As iniciativas compreenderão ações internas e projetos de âmbito externo, visando promover ações que envolvam seus milhares de colaboradores e também seus públicos externos”, informou.

Na Bolsa brasileira, em forte alta no mês de novembro, o Carrefour foi a ação mais desvalorizada na segunda (24), registrando queda de 5,35%.

Suspensão

A rede Carrefour foi desligada por tempo indeterminado da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, projeto que reúne 73 organizações signatárias, como Coca-Cola e Microsoft, após o assassinato de João Alberto.

Em nota divulgada em seu portal, a Iniciativa expressou “profunda repulsa” pelo crime cometido contra o homem negro de 40 anos, “repudiando com todas as forças” o ocorrido.

“É criminoso um ambiente empresarial em que um cidadão entre para fazer uma compra e saia morto. E é conivente todos aqueles que se omitiram e não tomaram as medidas para que essa morte fosse evitada. Inclusive os que se calam”, disse a nota da Iniciativa.

O Carrefour afirmou que está em contato com a Iniciativa e que pretende continuar aprendendo e colaborando com as demais empresas signatárias do pacto.

“Estamos em contato para estabelecer um diálogo, reforçar nosso compromisso com a pauta antirracista, apresentando as iniciativas de diversidade e inclusão que realizamos e traçar um plano com ações afirmativas que contribuam para que situações como estas não voltem a acontecer”, disse a empresa, em nota.

Na véspera, o presidente do Grupo Carrefour, o francês Alexandre Bompard, se manifestou sobre o assassinato de Freitas. Por meio de suas redes sociais, o executivo disse que vai pedir a revisão de treinamento de funcionários e terceiros “no que diz respeito à segurança, respeito à diversidade e dos valores de respeito e repúdio à intolerância.

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