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| Cartões de crédito roubados são vendidos na internet profunda

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Maior parte dos cartões fraudados é de americanos, mas os cibercriminosos fazem vítimas em outros países, inclusive no Brasil. (Crédito: Reprodução)

O roubo de dados de cartões de crédito é um dos crimes preferidos dos hackers. Não para realizar compras em nome de outros, mas para vendê-los em um imenso mercado ilegal que funciona nas profundezas da internet. Sites hospedados em darknets – redes na web profunda que protegem o anonimato – oferecem essas informações por preços que variam entre 15 reais e 30 reais, dependendo do volume encomendado, mas também é possível encontrar ofertas de cartões físicos por valores entre 100 reais e 300 reais. “É o ‘produto’ mais ofertado nas redes anônimas”, diz Marco de Mello, diretor-executivo da empresa de segurança digital PSafe. “Eles conseguem essas informações em grande volume para oferecer sempre dados válidos.”

A maior parte dos cartões fraudados é de americanos, mas os cibercriminosos fazem vítimas em outros países, inclusive no Brasil. O relatório Underground Hacker Markets (Mercado Secreto dos Hackers, na tradução livre) elaborado no fim de 2014 pela divisão de segurança da Dell, vasculhou um desses mercados e listou 294 mil cartões de crédito brasileiros.

“Cartões de crédito roubados de EUA, Canadá, Reino Unido, Brasil, Argentina e Geórgia parecem ser especialmente abundantes”, afirma o estudo. “Esse site anunciava que tinha 14 milhões de cartões americanos para venda, 294 mil brasileiros, 342.179 de diversos países, 212.100 do Canadá, 75.992 do Reino Unido e 26.873 da União Europeia.”

E as informações são sempre renovadas para garantir o funcionamento. Uma das lojas observadas na internet profunda, por exemplo, oferece lotes com dados de cem cartões e se compromete a fazer troca caso o percentual de cartões inválidos supere 20%. No anúncio, os criminosos dizem receber “novas listas todos os dias”.

Fabio Assolini, analista de segurança da empresa de antivírus Kaspersky, explica que, no Brasil, o roubo de informações se dá principalmente por ataques de phishing. Os criminosos criam sites falsos ou mandam mensagens por e-mail ou SMS pedindo esses dados para participação em sorteios ou compra de produtos com preços abaixo do normal. E muita gente cai nesses golpes. “A recomendação é sempre desconfiar”, diz Assolini. “Evite lojas desconhecidas, confira a lista do Procon de sites fraudulentos antes de fornecer as informações. Outra dica é ter um cartão secundário, com limite pequeno, para transações na internet. Também é interessante assinar um serviço que emite um alerta por SMS a cada compra efetuada.”

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