Sábado, 28 de março de 2026
Por Redação O Sul | 21 de março de 2026
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli estava por trás do resort Tayayá desde o início do empreendimento – que começou a ser projetado em 2006 –, embora só tenha se tornado sócio em 2021. Uma empresa em sociedade anônima controlada pelos seus irmãos e até veto a fotos em eventos com sócios fizeram parte dos cuidados para não deixar pistas de que o ministro era um dos donos do negócio.
Para terminar o empreendimento, uma das empresas da família Toffoli, a DGEP Empreendimentos – incorporadora do resort –, tomou um empréstimo bancário de R$ 20 milhões em 2016, segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo. Foi após esse crédito que o Tayayá incluiu no projeto de construção de casas de luxo – em parte, disponibilizadas para uso de Toffoli e de outros sócios.
O Tayayá esteve no centro dos questionamentos acerca da atuação de Toffoli no período em que foi relator do inquérito do Banco Master no STF – o ministro deixou o caso em fevereiro, tendo sido substituído por André Mendonça. Na condição de sócio da administradora e da gestora do resort em Ribeirão Claro, no Paraná, o ministro vendeu uma parte de sua participação a um fundo de investimentos ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.
Mensagens e extratos obtidos pelo Estadão indicam que o fundo destinou R$ 35 milhões ao resort. Quando as informações vieram a público, o ministro quebrou o silêncio e admitiu ter sido sócio do Tayayá, mas negou ter recebido dinheiro de Vorcaro e de seu cunhado, o pastor Fabiano Zettel, que é formalmente o cotista do fundo.
A J&F, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, injetou R$ 25,9 milhões na empresa que comprou as cotas do Tayayá em 2025. À reportagem, Toffoli afirmou que sempre foi investidor do Tayayá e que todo o seu patrimônio foi declarado à Receita Federal. Ele negou ter dado orientação para não ser fotografado em eventos do resort e disse que, se esse tipo de ordem existiu, foi em razão de um provável “protocolo de segurança”.
Em conversas com o jornal O Estado de S. Paulo, sócios e prestadores de serviços que trabalharam no projeto pediram para que seus nomes não fossem revelados. Eles afirmaram ter receio de retaliações justamente por falar sobre o envolvimento de Toffoli com o negócio. E dizem que o ministro manteve-se como investidor e, depois, como sócio formal do empreendimento, mas de forma sigilosa e fora de registros públicos.
Em 2025, a participação de todos os sócios, incluindo as de Toffoli e seus parentes, foi comprada pelo advogado Paulo Humberto Barbosa, que presta serviços à JBS e é sócio em uma empresa de participações do genro do irmão mais velho de Joesley e Wesley Batista. Em uma conversa com o Estadão em janeiro, Barbosa rechaçava a participação do ministro como sócio: “Isso é crendice popular”, disse . Questionado depois de Toffoli assumir que foi sócio do Tayayá sobre o motivo de ter negado o vínculo, Barbosa silenciou.
O resort começou a ser planejado em 2006. Em 2014, tinha cerca de 70 casas, em modalidades tipo studio, suíte e pousada – residências maiores, de 300 metros quadrados. Sócios e empresários envolvidos na construção e projeto do resort relatam que o quarto andar do Tayayá Ribeirão Claro não seria destinado a vendas. Segundo eles, estaria reservado para uso de seus donos, como era o caso de Toffoli e seus familiares.
No papel, Toffoli só passou mesmo a ser sócio do resort em 2020, quando sua empresa, a Maridt, se tornou sócia da incorporadora e da administradora do Tayayá. Mas dois empresários que participaram do projeto do resort relataram ao Estadão a ter feito tratativas com o ministro desde 2015 sobre o empreendimento. Um deles exibiu à reportagem mensagens enviadas a Toffoli sobre o Tayayá.
Toffoli ficou ausente de qualquer imagem que o associasse ao Tayayá até fevereiro de 2026, quando admitiu ser sócio. Em eventos com sócios, organizadores afirmam ao Estadão a que havia orientação para que câmeras jamais clicassem o ministro. O objetivo seria evitar a exposição pública de Toffoli em questões relacionadas ao resort. O ministro afirmou que “nunca deu qualquer orientação para que não fosse fotografado em eventos”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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