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Política Casos como o do INSS, da prisão de Collor e das emendas recolocam no noticiário o eterno problema da corrupção no Brasil

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Não que a corrupção estivesse suspensa na rotina de práticas antirrepublicanas que costumam alimentar os cupins do dinheiro público.

Foto: Reprodução
O suposto esquema é investigado na Operação Via Avaritia, em curso desde 2019. (Foto: Reprodução)

Malévola e irresistivelmente longeva na história do Brasil, a corrupção andava um tanto fora do noticiário e do debate público, até que emergiu com força graças a uma sucessão de malfeitos coincidentes, incluindo a queda do ministro Juscelino Filho (Comunicações) após denúncia da Procuradoria-Geral da República, a prisão do ex-presidente do Peru Ollanta Humala e o asilo concedido à ex-primeira-dama Nadine Heredia, a prisão do ex-presidente Fernando Collor (agora posto em prisão domiciliar) e o ruidoso escândalo dos descontos em aposentadorias e pensões do INSS.

Não que a corrupção estivesse suspensa na rotina de práticas antirrepublicanas que costumam alimentar os cupins do dinheiro público, como atesta o nefasto assunto das emendas parlamentares sem transparência, mas está claro que o País tem negligenciado o tema. Sobretudo depois que os excessos cometidos pela Operação Lava-Jato contribuíram, em grande medida, para descredenciar a agenda e ainda permitir que réus confessos passassem a posar de vítimas.

Precisamos falar sobre corrupção. Para tanto não é preciso recorrer à História. Registre-se que a corrupção já era fonte de preocupação no período em que éramos colônia portuguesa. Mem de Sá, o governador-geral do País entre 1558 e 1572, por exemplo, foi acusado de enriquecimento ilícito. No Rio de Janeiro, dizia-se que os mercadores de escravos que saíam da África e seguiam para o Rio da Prata e precisavam fazer escala no Rio para abastecer já sabiam que tinham de pagar propina ao governador da capitania. Tampouco se deve recorrer a hipérboles de pouca serventia, como a dúvida se o Brasil é o país mais corrupto do mundo, se os governos lulopetistas foram os mais corruptos da história brasileira ou se a atual legislatura é a mais imperfeita desde a redemocratização.

Também é contraproducente escolher entre o moralismo udenista (nos anos 1950 e 1960, a UDN era o partido que denunciava a corrupção com maior vigor) e a naturalidade com que a esquerda despreza o assunto – principalmente depois que o PT passou a ser governo, no início dos anos 2000. Como se sabe, o PT ascendeu denunciando tudo e todos, mas uma vez no poder se revelou tão corrupto quanto aqueles grupos que vivia a denunciar. Completados dez anos de poder, um documento levado a um conclave petista definia o partido como vítima do presidencialismo de coalizão, “prisioneiro de um sistema eleitoral que favorece a corrupção”. Agora, com a morte do presidencialismo de coalizão e a vigência de um sistema político disfuncional, não são poucos os morubixabas petistas que novamente apresentam a legenda como vítima. Desta vez não do presidencialismo de coalizão, mas de sua crise.

Vítima, contudo, é o Brasil – moral, política e economicamente. A corrupção ajuda a travar o pleno desenvolvimento econômico e social do País. O uso de estatais e instituições públicas por mercadores da política e da burocracia leva à locupletação de uns em prejuízo do dinheiro de muitos. Quando governantes se aproveitam do Estado em benefício próprio ou de seus apadrinhados se reforça um mal inquestionável: o desvirtuamento da gestão pública em uma máquina de ineficiência. Mas não há só más notícias.

O Brasil avançou muito em matéria de fiscalização e controle. Os diques de contenção, previstos pela Constituição de 1988 e depois dela, funcionam. É o caso da Lei das Estatais, que instituiu regras mais rígidas contra o uso político das empresas públicas, e da Lei de Acesso à Informação (LAI), a partir da qual órgãos públicos passaram a ser obrigados a publicar dados e a responder a pedidos de informação apresentados por cidadãos, por organizações da sociedade civil e pela imprensa livre e independente. Também não faltam punições em nossa história recente, apesar dos pesares.

Resta avançar, insista-se, na qualidade do debate público sobre a corrupção. Em primeiro lugar, aceitando a ideia de que se trata de uma mazela sem cor ideológica ou partidária. Segundo, reconhecendo que, como um problema sistêmico, dispensa grandes escândalos para ser uma preocupação nacional e exige maior rigor no controle, na fiscalização e na punição devida aos malfeitos. Terceiro, e não menos importante, mostrando que a reação enfática da sociedade e a consequente vigilância são a melhor arma contra a corrupção, que avilta as instituições, a democracia e a autoestima do Brasil. (Com Estado de S.Paulo)

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Victor Saib
1 de maio de 2025 23:44

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Glaucio Dos Santos Brum
2 de maio de 2025 12:10

A maldita corrupção está impregnada na cultura do povo brasileiro, onde impera a antiga, mas sempre aplicada, “lei de Gerson”. Precisa-se levar vantagem em tudo e, ainda por cima, sair ostentando sua esperteza que, na verdade, nada mais é que falta de caráter. Baseado nisso, os nossos representante acabam por fazer uso, muitas vezes legal pelo uso da caneta, da legislação em causa própria, do “sempre levar vantagem”. Enquanto isso, a população polarizada aplaude quando seus adversários políticos são investigados e punidos, mas defende sua ideologia e seus corruptos de estimação como fossem santos, acima de qualquer suspeita e lei.… Leia mais »

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