Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 4 de março de 2021
Portugal registrou 979 novos casos de coronavírus na quarta-feira, segundo dados da Universidade Johns Hopkins. A taxa de contágio é agora uma das mais baixas da Europa e marca uma curva descendente da pandemia no país, alcançada devido à imposição de uma quarentena bastante rígida após o vírus sair de controle em janeiro, quando 16.432 novos casos chegaram a ser confirmados num mesmo dia. O número de mortes também caiu drasticamente, passando de 303 em 28 de janeiro para 41 na quarta.
Os hospitais portugueses também já estão mais aliviados. De acordo com dados da Direção Geral da Saúde (DGS), o número de doentes internados caiu 75% entre 1º de fevereiro e 4 de março, passando de 6.775 para 1.708. É o número mais baixo desde 26 de outubro e representa uma diminuição de 1.708 pessoas internadas em relação ao dia anterior. O número de pessoas hospitalizadas em unidades de terapia intensiva (UTI) também vem caindo: eram 399 nesta quinta-feira, 16 a menos do que na quarta e o valor mais baixo desde 13 de novembro.
O país se saiu melhor do que outras nações europeias na primeira onda da pandemia, entre março e abril do ano passado, mas 2021 trouxe um aumento devastador de infecções e mortes durante a segunda onda, em parte atribuídas à rápida disseminação de variantes do vírus e ao relaxamento das restrições durante o Natal.
Diante da gravidade inédita, o governo decidiu decretar nova quarentena em 15 de janeiro, mas manteve as escolas abertas. A medida foi muito criticada, porque liberou a circulação diária de mais de dois milhões de pessoas. Uma semana depois, o primeiro-ministro António Costa voltou atrás e encerrou as atividades letivas presenciais. Os voos comerciais e privados de e para o Brasil estão suspensos desde então.
As restrições valem até 16 de março, mas o governo português já se manifestou no sentido de mantê-las por mais tempo, com um relaxamento esperado apenas para depois da Páscoa. Apesar de diversos setores estarem pressionando pela antecipação da retomada das atividades comerciais, o discurso oficial tem sido de que ainda é cedo para voltar à normalidade.
“Seria uma ilusão pensar que controlamos tudo, que podemos voltar a partir, por exemplo, para um desconfinamento com níveis tão elevados de casos como os que temos hoje”, afirmou a ministra da Saúde em entrevista à agência Lusa na terça-feira. “Se em agosto tivemos num determinado dia um máximo de 29 doentes internados em cuidados intensivos, ontem [segunda-feira] tínhamos 469. Se em agosto tínhamos 270 doentes internados em enfermaria, ontem tínhamos 2.167. Se em agosto tínhamos uma taxa de positividade [dos testes de Covid-19] de pouco mais de 1%, agora ainda estamos acima de 4%. Portanto, há muitas coisas que, embora hoje, porque já estamos habituados, nos pareçam estar tranquilas, estão longe de estar.”
Em paralelo às pesadas restrições, o governo português reforçou sua campanha de vacinação, que começou com lentidão e foi ofuscada por escândalos de fura-fila, mas engrenou nas últimas semanas e tem batido sucessivos recordes de inoculações diárias. De acordo com os últimos dados da GDS, dos cerca de 10 milhões de habitantes do país 929.133 já foram vacinados (9%): 655.719 com apenas a primeira dose e 273.414 com as duas doses previstas (2,61% da população). Portugal é atualmente o quinto país da União Europeia em número de doses aplicadas.
Os dados da DGS indicam ainda que 1.654 pessoas se recuperaram da doença no último dia, elevando o número total de recuperados desde o início da pandemia em Portugal para 727.053. Por 32 dias consecutivos, o número de recuperados excedeu o número de novas infecções. Os casos ativos em Portugal continuam diminuindo, com 63.945 contabilizados nesta quinta-feira, 852 a menos que no dia anterior.
As autoridades de saúde têm 31.041 contatos sob vigilância, uma queda de 2.450 em relação ao dia anterior, com a tendência de queda continuando desde 30 de janeiro, segundo o boletim epidemiológico da DGS.
Segundo o primeiro-ministro, António Costa, o plano de desconfinamento deve ser apresentado apenas na próxima semana. A ideia é que haja um relaxamento gradual no país, com a prioridade para o retorno das crianças à escola.
Desde o começo da pandemia, Portugal contabilizou 807.456 casos e 16.458 mortes por Covid-19, segundo dados da Johns Hopkins. As informações são do jornal O Globo.
Os comentários estão desativados.