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Saúde Casos de impotência deixarão de existir quando o homem se libertar da obrigação de provar que é macho

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Medo de aceitar a impotência leva o homem a demorar, em média, quatro anos para buscar ajuda médica. (Crédito: Reprodução)

Não é à toa que a maior preocupação do homem no sexo seja a falta de ereção, mesmo que eventual. Em uma pesquisa recente da Sociedade Brasileira de Urologia, 64% dos homens declaram que o que mais os incomoda na relação com a parceira é o temor de falhar na hora H. A cultura ocidental, além de esperar que o homem seja forte, corajoso e tenha sucesso em tudo, associou a ideia de masculinidade à potência sexual.

Os homens bem que se esforçam, perseguem esse ideal masculino, mas, não podendo alcançá-lo, se sentem oprimidos e desenvolvem o pavor de falhar na cama. O homem presta mais atenção ao seu pênis do que a qualquer outra coisa. Há quem diga até que se pedíssemos para alguém dizer qual a coisa mais importante do mundo, em toda sua história, a resposta com certeza seria: o pênis. Sem dúvida, o homem dedica-lhe mais afagos e zelo do que a qualquer outra parte do corpo. Protege-o acima de tudo. Além disso, é gratificante poder se orgulhar do próprio órgão sexual: seu tamanho, forma, qualidade e desempenho. Assim, tudo o que corrói esse orgulho corrói o próprio homem. Para ele, o pênis é de suprema importância. Nada que o afeta deixa de afetar o homem na mesma proporção, e vice-versa. Na maioria das vezes, a preocupação primeira quando se dirige ao ato sexual é confirmar que é “macho”. E quanto melhor a ereção, mais macho se sente. A ereção é, então, o centro de gravidade do seu ser.

Angústia.

E quando a ereção não acontece ou não se mantém? Uma angústia impossível de expressar em palavras o invade, um medo ancestral que vem lá do fundo da sua história filogenética, como a água que rompe um dique. Para o homem, o símbolo da masculinidade e do ser não é o pênis, e sim ele ereto. Nenhum homem pode se conceber como tal quando a ereção falha, pois para ele a ereção é a sua essência, assim com a água é para o rio que, ao secar, deixa de ser rio. Dessa forma, quando isso acontece, ele não quer ser consolado e, sim, “curar-se” sozinho. Neste momento, deseja desaparecer magicamente e voltar montado no pênis ereto, como cavaleiro ressuscitado do apocalipse vivido. Contudo, para ser considerada disfunção erétil – termo usado na literatura médica para a impotência –, a incapacidade de obter ereção ou manter o pênis rígido para a penetração deve ser um fato que se repete e não um episódio. A questão é que quando isso ocorre pela primeira vez o homem fica tão abalado que há grandes chances de acontecer novamente, por causa da sua insegurança. É muito maior do que se pensa o número de homens que sofrem dessa disfunção. Só que eles não contam nem para o melhor amigo. Nos Estados Unidos, em um estudo, 52% dos homens revelaram descontentamento com seu desempenho sexual. E o largo uso de remédios para a disfunção erétil no Brasil denuncia a enorme quantidade de homens sexualmente inseguros.

As causas da impotência podem ser orgânicas ou psicológicas, por isso é necessária uma avaliação cuidadosa para a indicação de um tratamento adequado: médico, psicoterápico, ou terapia sexual. Mas o medo de aceitar a impotência, a vergonha, a dificuldade de contar para outra pessoa, levam o homem a demorar, em média, quatro anos para buscar ajuda no campo sexual. Entretanto, grande parte dos casos de impotência deixará de existir quando o homem se libertar da obrigação de provar que é macho. Partir para o ato sexual apenas quando existir desejo real pela parceira e não se preocupar com a ereção são pré-requisitos fundamentais. Aí, talvez seja possível experimentar o sexo com liberdade, simplesmente para obter e proporcionar prazer, longe de qualquer tipo de ansiedade. (Regina Navarro Lins/AD)

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