Terça-feira, 05 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 4 de maio de 2026
A maior parte dos Estados brasileiros apresenta níveis de alerta, risco ou alto risco para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), segundo novo boletim do InfoGripe, da Fiocruz. O cenário acompanha o período sazonal de circulação de vírus respiratórios e acende atenção para o avanço de casos em diferentes regiões do país.
A análise considera dados até a semana epidemiológica 16, entre os dias 19 e 25 de abril. Apenas três estados — Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul — não aparecem nesse nível mais elevado de incidência.
O levantamento mostra crescimento de casos de SRAG em 16 unidades da federação nas últimas seis semanas, incluindo estados como Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Distrito Federal.
Ao mesmo tempo, há aumento de infecções por vírus sincicial respiratório (VSR) — principal causa de quadros graves em crianças pequenas — em praticamente todas as regiões. O avanço é observado tanto no Norte quanto no Nordeste, Sudeste e Sul.
Já a influenza A segue em alta principalmente no Centro-Sul do país, enquanto apresenta sinais de queda em parte do Norte e Nordeste.
Entre as capitais, 13 das 27 registram níveis elevados de atividade da doença com tendência de crescimento, como Belém, Recife, Brasília e Vitória.
Os dados reforçam um padrão já conhecido: a SRAG afeta mais intensamente os extremos de idade.
Crianças pequenas, especialmente menores de 2 anos, concentram os casos, sobretudo associados ao VSR e ao rinovírus.
Idosos apresentam maior risco de morte, com predominância de influenza A e Covid-19 entre os óbitos.
Mesmo com menor incidência recente, o coronavírus ainda aparece como uma das principais causas de morte entre pessoas mais velhas.
Mais de 46 mil casos e quase 2 mil mortes em 2026
Desde o início do ano, o Brasil já registrou:
– 46.344 casos de SRAG;
– 1.960 mortes.
Entre os casos com diagnóstico positivo para vírus respiratórios:
– 26,4% foram causados por influenza A;
– 21,5% por vírus sincicial respiratório;
– 38,3% por rinovírus;
– 8,5% por Sars-CoV-2;
Nos óbitos, a influenza A lidera, seguida por Covid-19 e rinovírus.
Vacinação
A pesquisadora Tatiana Portella, do InfoGripe, reforça que a vacinação continua sendo a principal estratégia para evitar formas graves da doença, especialmente entre grupos prioritários.
Segundo ela, gestantes podem receber a vacina contra o VSR a partir da 28ª semana de gravidez, o que ajuda a proteger os bebês nos primeiros meses de vida.
O InfoGripe é uma iniciativa do Sistema Único de Saúde (SUS) que monitora casos de síndrome respiratória grave no país. Os dados são usados para orientar ações de vigilância e resposta a eventos de saúde pública.
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