Quarta-feira, 14 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 14 de setembro de 2023
A procura por desaparecidos na Líbia, atingida por devastadoras enchentes no começo da semana, continuou nessa quinta-feira (14), em meio aos apelos pelo envio de mais ajuda internacional e de investigações sobre o desastre. Equipes de resgate na cidade de Derna, a mais atingidas pela inundação, pediram por mais sacos para transportar cadáveres, que continuam a surgir em grandes quantidades, aumentando o receio de que alguma doença seja espalhada aos sobreviventes.
“Precisamos de equipes especializadas na recuperação de corpos. Temo que a cidade seja infectada por uma epidemia devido ao grande número de corpos sob os escombros e na água”, disse o prefeito de Derna, Abdulmenam al-Ghaithi, citado pelo jornal britânico The Guardian.
Os números oficiais ainda passam uma imagem confusa da real dimensão da tragédia líbia. O Ministério do Interior informou, na noite de quarta-feira, que cerca de 2.700 mortes foram documentadas e 2.500 pessoas eram dadas como desaparecidas. Contudo, as autoridades anteriormente haviam falado em 5 mil mortos e mais de 10 mil desaparecidos. Em Derna, al-Ghaithi disse à televisão Al Arabiya que o número de mortos poderia chegar a 20 mil, com base no número de distritos destruídos.
Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, em comunicado divulgado nesta quinta-feira (14), o desastre causou ao menos 11,3 mil mortes, referentes apenas à cidade de Derna, cidade mais afetada. Além disso, outras 10,1 mil pessoas estavam desaparecidas, e outras 170 teriam morrido em outras localidades no leste do país.
Já o governo de união nacional reconhecido pela ONU e baseado na capital Trípoli registrou 5,5 mil mortes e 7 mil feridos, mas veículos de imprensa local também já estimam o número de mortes em mais de 20 mil.
O rompimento de duas represas no rio Wadi Derna, provocadas por chuvas torrenciais trazidas pela tempestade Daniel, devastaram o país, levando bairros inteiros. Testemunhas comparam os estragos ao de um tsunami, enquanto os corpos de pessoas que foram levados pela correnteza começam a ser devolvidos pelo mar.
Embora especialistas apontem que a soma do fenômeno climático extremo, da infraestrutura castigada em um país assolado por conflitos internos e pobreza tenham amplificado a tragédia, a ONU afirmou que milhares de vítimas das inundações devastadoras no leste da Líbia “poderiam ter sido evitadas” se os sistemas de alerta precoce e de gestão de emergências tivessem funcionado adequadamente.
“Os alertas poderiam ter sido emitidos e as forças de gestão de emergências poderiam ter realizado a evacuação da população, e poderíamos ter evitado a maioria das vítimas”, disse Petteri Taalas, chefe da Organização Meteorológica Mundial da ONU (OMM), nessa quinta-feira.
A declaração do representante da OMM coincide com o aumento dos apelos por responsabilizações pela tragédia. Um alto funcionário líbio pediu que uma investigação sobre o colapso das barragens fosse aberta pela Procuradoria.
“Pedimos ao procurador-geral que abrisse uma investigação abrangente sobre os acontecimentos do desastre”, disse Mohamed al-Menfi, chefe do Conselho Presidencial da Líbia, em uma publicação nas redes sociais na quarta-feira. “[Serão responsabilizados] Todos os que cometeram erros ou negligenciaram a abstenção ou a tomada de medidas que resultaram no rompimento das barragens na cidade de Derna.”
O apelo à responsabilização por parte do conselho de al-Menfi, baseado no oeste da Líbia, ocorreu quando o Exército Nacional Líbio, a principal autoridade no leste do país dividido, incluindo Derna, fechou as entradas da cidade e permitiu apenas equipas de resgate e comboios de ajuda. No dia anterior, o Exército instou os residentes sobreviventes a deixarem a cidade.
A ajuda internacional se intensificou nesta quinta, com aviões militares e navios de países do Oriente Médio e da Europa seguindo em direção ao norte da África. No entanto, de acordo com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), os desafios enfrentados pelos trabalhadores humanitários são imensos.
“As estradas estão bloqueadas, destruídas e inundadas, dificultando o acesso à ajuda humanitária”, disse a OIM em comunicado.
A ONU prometeu US$ 10 milhões (R$ 49 milhões) em apoio aos sobreviventes na Líbia, incluindo pelo menos 30 mil pessoas que, segundo ela, ficaram desabrigadas em Derna. As informações são dos jornais O Globo e The New York Times e da agência de notícias AFP.
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