Domingo, 26 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 24 de julho de 2026
Cauã Reymond não foi aquela criança que sonhava em ser jogador de futebol. Pelo contrário. Pela falta de talento, que herdou do pai e do avô, ele não era escolhido nem para marcar presença como goleiro nos jogos no colégio. Mas quis o destino que o futebol fizesse parte importante da trajetória do ator carioca de 46 anos. Em “Avenida Brasil”, clássica novela de 2012 da TV Globo, atualmente em exibição no “Vale a pena ver de novo”, ele deu vida ao jogador Jorginho, um dos maiores sucessos de sua carreira. Agora, Cauã volta ao universo do futebol como Maurício, personagem principal da série “Jogada de risco”, disponível na Globoplay. Na trama, Cauã vive uma ex-promessa do esporte que viu a carreira chegar ao fim por lesões e pela má administração do pai, Valdemar (Marcos Frota). Ele tenta seguir a vida como empresário de jovens atletas.
“Nos últimos anos, especialmente no cinema, venho trabalhando também como produtor e estava com a vontade de fazer alguma coisa para a televisão. Há um tempo, estava assistindo à série “Ballers”, com The Rock, e comecei a imaginar como seria falar dos bastidores do futebol. A série não serviu de base, mas gerou essa faísca”, conta Cauã, se aventurou pelo meio. “Comecei a pesquisar e a conversar com pessoas. Falei com agentes de futebol, dirigentes, atletas, ex-atletas e fui encontrando um território de assuntos e histórias que gostaria de contar.”
Idealizador de “Jogada de risco”, Cauã divide os créditos de criação com Sofia Maria e Thiago Dottori. A direção é de Bruno Safadi e o roteiro de Dottori, com supervisão de texto de Lucas Paraizo. O ator lembra que os planos para produção da série existem desde antes da Copa de 2022, mas que o processo acabou impactado pela pandemia da covid-19.
Já sonhando com uma segunda temporada, o astro fala sobre como foi explorar temas além do futebol, mas que estão muito presentes nos bastidores da bola, como o machismo e o sexo. Ele conta que, pela pesquisa que fez, notou que seria impossível deixar o sexo de fora da trama.
“O sexo e o erotismo se apresentam de várias maneiras nas relações de poder. E estão presentes no futebol. Não queria que fosse algo gratuito”, conta o ator.
Há 24 anos na vida pública, Cauã vê paralelos nas trajetórias de artistas e atletas, especialmente no que diz respeito à exposição, um dos temas abordados na série.
“São vidas discutidas publicamente. E, cada vez mais, as pessoas têm se interessado pelas vidas pessoais dos atletas. Você vê jogadores como Bellingham e Haaland que despertam o interesse não só de quem gosta de futebol, mas também de curiosos”, diz o ator, que viu uma transformação no meio com a chegada das redes sociais. “Sou da geração em que éramos seguidos por paparazzi. Hoje, o próprio artista divide sua vida pessoal nas redes. Eu tive um pouco de dificuldade para fazer essa transição, ainda acho que posso me comunicar melhor com as pessoas e tentar encontrar caminhos em que não sinta minha privacidade invadida.”
Reconhecimento
Sempre ativo e produzindo, Cauã conta que nunca teve medo de cair no ostracismo, mas que se preocupou, sim, em ficar estigmatizado no lugar de galã.
“Foi uma preocupação minha desde o Mau-Mau (personagem que viveu em Malhação, entre 2002 e 2003). Quando eu passei no teste, meu pai falou de forma ingênua: ‘Filho, agora sua vida está feita, né?’ Mas eu sabia que, se não trabalhasse duro e tentasse melhorar, sumiria rapidamente. Acho que tive muita disciplina e curiosidade. E o medo também me ajudou a buscar outras possibilidades. Eu que liguei para o Carlão (o diretor Carlos Reichenbach) e pedi para trabalhar com ele”, lembra o artista, que realizou com o cineasta um de seus mais elogiados trabalhos na tela grande, “Falsa loura” (2007). “Eu tinha, sim, medo de ficar estigmatizado, mas hoje sou super-relaxado em relação a isso, até por entender que o galã também tem sua função na teledramaturgia brasileira.”
Em meio a rumores sobre a produção de “Avenida Brasil 2”, Cauã desconversa, mas lembra com carinho de seu personagem.
“Eu tenho ouvido as conversas, mas ainda não tenho nada oficial, preciso entender o que realmente vai acontecer. Mas fico muito animado. É a novela brasileira mais vendida para o exterior, que me fez ficar conhecido no Chile, na Argentina, nos Estados Unidos. Recebo como grande elogio quando alguém olha para mim, fora do Brasil, e pergunta: ‘Jorgito?'”, afirma. (Com informações do jornal O Globo)
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