Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 2 de setembro de 2016
Um cemitério americano promove sessões de cinema ao ar livre batizadas de Cinematery. Aulas de ioga, clube de leitura, projeção de filmes ao ar livre, passeios noturnos para explorar monumentos. A programação é semelhante à de muitos parques americanos, mas no Congressional Cemetery, cemitério histórico de Washington, as atividades são realizadas em meio a túmulos de políticos famosos e heróis da Guerra Civil dos EUA.
Seguindo uma tendência crescente em cemitérios de todo o país, o Congressional Cemetery oferece uma agenda diversificada de eventos que, segundo seu presidente, Paul Williams, atraem até 45 mil pessoas por ano.
Aos sábados, há passeios guiados, e na primeira quinta-feira de cada mês, uma caminhada noturna. O ingresso, a 10 dólares (cerca de 32 reais), dá direito a uma taça de vinho.
Corrida de 5 quilômetros.
Todos os anos, em outubro, uma das principais atrações é a Dead Man’s Run, uma corrida de 5 quilômetros em que os participantes, muitos deles fantasiados, atravessam o cemitério ao som de música. O preço da inscrição, 40 dólares (cerca de 130 reais), inclui uma camiseta e uma cerveja.
“Nós incentivamos as pessoas a visitarem nosso cemitério, caminhar por aqui, ler as lápides, divertir-se. Não precisa ser um lugar solene e triste”, disse Williams. “Muitos se esquecem que, há cem anos ou mais, as pessoas usavam os cemitérios como parques, onde passavam o dia, faziam piqueniques, se reuniam com amigos, mesmo se não tivessem familiares enterrados no local.”
O Congressional Cemetery faz parte de um grupo cada vez maior de cemitérios americanos que oferecem mais do que sepultamentos e cerimônias fúnebres. O Hollywood Forever, em Los Angeles, promove sessões de cinema desde 2002, além de concertos musicais e outros eventos.
Oakland (Atlanta), Green-Wood (Brooklyn, em Nova York), Spring Grove (Cincinnati), Laurel Hill (Filadélfia) e Mountain Grove (Bridgeport) são outros cemitérios históricos que têm atraído milhares de visitantes com programação cultural o ano inteiro.
No Holy Sepulchre, na Califórnia, há degustação de vinhos premiados produzidos por videiras plantadas no próprio cemitério.
“Em grandes cidades, onde há cemitérios especialmente grandiosos, esse tipo de programação vem crescendo nos últimos dez ou 15 anos”, disse o professor de história da arquitetura Keith Eggener, da Universidade de Oregon, autor de um livro sobre a evolução dos cemitérios americanos.
Essa transformação é impulsionada, principalmente, pela necessidade de fechar as contas em um momento em que o número de novos sepultamentos já não é suficiente para cobrir os custos de preservação, principalmente no caso de cemitérios históricos.
“Muitos já estão lotados, não têm mais como arrecadar fundos com a venda de espaço. Precisam ser criativos para cobrir os custos de manutenção”, salienta Williams.
Transformação.
A transformação começou a partir de 1997 por iniciativa da própria comunidade. Moradores da área que costumavam levar seus cães para passear no cemitério passaram a se organizar e arrecadar dinheiro para cortar a grama e outros reparos. O programa cresceu e hoje inclui 750 cães e uma lista de espera que pode chegar a três anos.
No entanto, para Eggener, a motivação econômica não é a única explicação para a transformação desses cemitérios. Outro fator é o que ele considera uma cultura atual de nostalgia e de fascinação com o passado.
Os comentários estão desativados.