Domingo, 24 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 13 de setembro de 2015
O ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró revelou à força-tarefa da Lava-Jato a negociação de um “pedágio” de 4 milhões de reais com a Odebrecht para a campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006.
As informações estão registradas na mais recente proposta de delação premiada de Cerveró. Trata-se de relatos pormenorizados de Cerveró sobre os negócios corruptos que tocaram primeiro na Diretoria Internacional da Petrobras, sob ordens do PT e do PMDB, e, a partir de 2008, na Diretoria Financeira da BR Distribuidora, sob ordens do PT e do senador Fernando Collor, do PTB. Neles, Cerveró afirmou que a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, nos Estados Unidos, rendeu 15 milhões de dólares em propina. E envolveu no esquema a área internacional, além de outros funcionários da Petrobras, senadores como Delcídio Amaral, do PT, líder do governo no Senado, o presidente da Casa, Renan Calheiros, e Jader Barbalho, ambos
do PMDB.
Almoço
O ex-diretor da estatal confessou uma negociação em um almoço, ocorrido nas vésperas das eleições de 2006, em um restaurante na Praia do Flamengo, no Rio de Janeiro. Representando a Petrobras estavam Cerveró, Paulo Roberto Costa e Renato Duque. Do lado da Odebrecht, Márcio Faria e Rogério Araújo. Duque, diretor de Serviços da Petrobras, era homem do PT. Costa, diretor de Abastecimento, do PP. E Cerveró, diretor internacional, do PT e do PMDB.
Na ocasião, os cinco discutiram as obras para modernizar Pasadena, cuja metade das ações fora comprada pela Petrobras meses antes.
No almoço, estimou-se que as obras para modernizar a refinaria custariam 4 bilhões de reais. Pasadena era um novelo de dutos enferrujados, de aparência avermelhada provocada pela oxidação dos metais. Se a Petrobras fizera um péssimo negócio ao comprá-la, como se confirmou nos anos seguintes, a Odebrecht estava prestes a faturar um formidável contrato. Decidiu-se que a construtora ganharia o contrato de 4 bilhões de reais. Em troca, a Odebrecht pagaria adiantado 4 milhões de reais à campanha à reeleição de Lula.
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