Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 12 de janeiro de 2016
Pela primeira vez, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi acusado de ter tratado pessoalmente, sem intermediários, de suposto repasse de propina proveniente da Petrobras. Segundo afirmou em delação premiada o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, em 2012 Calheiros “reclamou da falta de repasse de propina” por parte do delator.
Em depoimento prestado em 7 de dezembro, Cerveró relatou duas reuniões com a participação do peemedebista nas quais o tema da propina foi discutido. Em uma delas, em 2009, segundo Cerveró, estavam presentes, além do senador alagoano, o então presidente da BR Distribuidora, José Lima de Andrade Neto, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e um “representante” do senador Fernando Collor (PTB-AL), o ex-ministro Pedro Paulo Leoni Ramos.
De acordo com Cerveró, no encontro, ocorrido no Hotel Copacabana Palace, no Rio, o presidente da BR teria afirmado que a compra de álcool, o aluguel de caminhões para transportar combustível e a construção de bases de distribuição de combustíveis “seriam os negócios que poderiam render propina mais substancial na BR Distribuidora”. Segundo Cerveró, na ocasião, Andrade Neto “se disponibilizou a ajudar os políticos interessados”.
O segundo encontro com Calheiros, conforme o ex-diretor da Petrobras, ocorreu no ano de 2012, quando o senador o teria chamado, em seu gabinete, para reclamar da falta de repasses de propina. De acordo com o diálogo citado por Cerveró, o então diretor teria dito a Calheiros que não estava arrecadando propina na BR Distribuidora.
Ao saber disso, “Renan Calheiros disse que a partir de então deixava de prestar apoio político” a Cerveró – que, contudo, na época permaneceu no cargo de diretor financeiro e de serviços da BR. Calheiros já é investigado em seis inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal) sob a suspeita de recebimento de propina de negócios relacionados à Petrobras. (Folhapress)
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