Sábado, 03 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 3 de outubro de 2026
Os 158,7 milhões de eleitores do Brasil chegam às urnas com a campanha presidencial em primeiro turno mais acirrada da história do País em um sentido amplo, considerando todas as 13 eleições disputadas pelo sufrágio universal direto e secreto, desde a primeira, em 1945.
De acordo com a pesquisa divulgada pelo Datafolha na quinta-feira (1º), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 42% das intenções de voto, ante 38% do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o que significa um empate no limite da margem de erro. Os demais concorrentes somam 13%. Há uma migração para os dois primeiros inflada pela campanha do voto útil, sobretudo por parte do bolsonarismo, mas no momento insuficiente para encaminhar a disputa para uma definição já no primeiro turno.
Já houve incertezas relevantes no processo das sucessões brasileiras. Nas de 1950 e 1955, a posse dos vencedores, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, foi motivo de debate. Nas de 1989, 2002 e 2014, a definição do segundo turno era motivo de suspense. Fernando Collor, Lula e Dilma Rousseff, respectivamente, eram líderes isolados, mas havia dúvida sobre quem seria o oponente na rodada decisiva. Nas de 1994,1998, 2006 e 2022, a dúvida era se haveria ou não segundo turno. Não houve nos dois primeiros casos e houve nos dois últimos. Empate em relação a quem está em primeiro lugar é a primeira vez.
O acirramento da disputa não significa uma eleição de reviravoltas.
Desde que Flávio Bolsonaro se consolidou como a opção do bolsonarismo, entre janeiro e março, há um quadro de estabilidade entre os concorrentes. As curvas oscilaram, mas o ponto de partida é virtualmente igual ao de chegada. Em abril, o Datafolha apontava 39% para Lula, 35% para Flávio e 11% para os demais.
Lula ficou travado por uma avaliação de governo anêmica – segundo o Datafolha, a soma das avaliações boa e ótima não passaram de 35%, ante 41% de conceitos ruim e péssimo, o que lhe conferiu um desempenho muito inferior ao que tinha às vésperas do primeiro turno da eleição de 2022. Ele mantém, contudo, suas fortalezas. O presidente tende a vencer com folga em todos os Estados do Nordeste, com cerca do dobro de intenção de voto em Flávio, exceto em Alagoas, terra do vice do candidato do PL, o deputado Alfredo Gaspar, onde o quadro é um pouco mais disputado.
Na reta final da disputa, Lula fez sinais para sua base tradicional, como o reajuste de 15% no beneficio do Bolsa Família, com grande contingente de beneficiados na região. A vantagem que o presidente consegue na região Nordeste compensa com folga a dianteira inequívoca que Flávio conta nos estados com base no agronegócio: região Sul, Centro-Oeste e no cordão ocidental da região Norte (Acre, Rondônia e Roraima).
Na região Sul, Flávio conta com estrutura partidária. O PL lidera a corrida para o governo estadual no Paraná, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Também está em primeiro em Rondônia e em Roraima. A força do voto evangélico contrabalançou a favor de Flávio o peso regional do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado no seu reduto e nos vizinhos Distrito Federal e Tocantins.
Assim como foi na eleição presidencial de 2022, a região Sudeste é o palco da maior disputa. Os últimos levantamentos feitos pela Quaest mostram uma vantagem de apenas seis pontos percentuais de Flávio Bolsonaro em São Paulo e de sete no Rio de Janeiro, além de uma dianteira de apenas quatro pontos percentuais em Minas Gerais. Em relação ao que aconteceu há quatro anos, essa fotografia mostra Flávio mais fraco do que o pai no Rio, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro saiu das urnas com dez pontos de vantagem em relação a Lula. Nos casos mineiro e paulista, os cenários mostrados pelas pesquisas são muito similares aos do resultado final. (Com informações do Valor Econômico)
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