Terça-feira, 07 de Julho de 2020

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CAD1 Chile terá segundo turno entre o ex-presidente Sebastián Piñera e o senador governista Alejandro Guillier

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Sebastián Piñera e Alejandro Guillier passaram para o segundo turno as eleições chilenas. (Fotos: Reprodução)

As eleições no Chile, realizadas nesse domingo, irão a segundo turno. A disputa será entre o ex-presidente Sebastián Piñera, que tem 36% dos votos com mais de 90% das urnas apuradas, e o jornalista e senador governista Alejandro Guillier, com 22%, conforme informou o órgão eleitoral do país. O segundo turno será no dia 17 de dezembro.

Além de escolher o substituto de Michelle Bachelet na presidência, os chilenos votaram para renovar o Parlamento e conselhos regionais.

As pesquisas eleitorais já indicavam a possibilidade de segundo turno entre Piñera e Guillier. Conforme o portal G1, na apuração dos votos, surpreendeu o desempenho de Beatriz Sánchez, candidata da estreante Frenta Ampla, o equivalente ao Podemos espanhol. Na última pesquisa eleitoral do Centro de Estudos Públicos do Chile, ela apareceu com 8,5% das intenções de voto – Piñera tinha 44,4% das preferências e Guillier, 19,7%.

De acordo com a agência EFE, o clima de tranquilidade durante a votação foi afetado nas primeiras horas do dia pela queima de dois ônibus, um em Santiago e outro na região da Araucanía, onde também foram incendiados um galpão e um trator e estradas foram bloqueadas com árvores previamente derrubadas que depois foram queimadas, segundo informou o subsecretário do Interior, Mahmoud Aleuy.
O candidato Piñera teve a sede de seu comitê eleitoral ocupada neste domingo por um grupo de jovens de extrema-esquerda que posteriormente foram retirados e detidos pela polícia.

O ex-presidente milionário
Piñera, que governou o Chile entre 2010 e 2014, conta com o apoio de conservadores e da centro-direita chilena na coalizão Chile Vamos, integrada pelo Renovación Nacional (RN) e o União Democrática Independente (UDI), entre outros. Ainda que ambos os partidos tenham sido o sustento político da ditadura do general Augusto Pinochet entre 1973 e 1990, Piñera não ocupou nenhum cargo durante o regime e diz que se opôs quando Pinochet quis prorrogar seu mandato por mais uma década.

Engenheiro comercial, Piñera, 67 anos, foi considerado pela Revista Forbes um dos homens mais ricos do Chile, com um patrimônio de cerca de US$ 2.700 milhões. Antes de ser eleito presidente em 2009, trabalhou em organismos internacionais, no setor privado e no mercado imobiliário. Entre 1990 e 1998 foi senador pelo RN, dando início à sua vida política.

Candidatura independente
As três décadas de carreira no jornalismo de Alejandro Guillier, que foi repórter, editor-chefe e apresentador dos principais telejornais do país – que fizeram dele um dos jornalistas de maior credibilidade do Chile -, prepararam o caminho para que se transformasse, aos 64 anos, no candidato com mais chances dentro da coalizão governista.

A disputa à presidência como candidato sem partido o obrigou a enfrentar a complexa missão de obter, com recursos privados, mais de 30 mil assinaturas reconhecidas em cartório, em um trabalho de ‘formiguinha’ em todo o país.

Muitos o acusam de falta de entusiasmo na campanha. Apesar de ter o apoio dos partidos tradicionais de esquerda, Guillier defende sua posição de “independente”. Iniciou sua carreira política há quatro anos, quando foi eleito senador pela região de Antofagasta (norte) com 37% dos votos.

Casado com a antropóloga María Cristina Farga, usou durante a campanha o slogan “o presidente das pessoas”, em uma tentativa de enfatizar sua proximidade com a população, que ainda o reconhece mais por seu trabalho na televisão.

Legado de Bachelet
O presidente que assumir em 11 de março o palácio de La Moneda receberá um país com uma economia em alta, impulsionada pelo aumento dos preços do cobre, depois de três anos de queda e que levou o principal produtor mundial do metal a um crescimento médio de 1,8% nos anos de governo Bachelet.
Segundo a Fundação Sol, uma ONG local especializada em estudar a desigualdade, o Chile é um dos países mais desiguais da região: 20% da população concentra 72% da riqueza do país.

A economia e o caso de corrupção que envolveu seu filho e sua nora no princípio do segundo mandato acabaram com a popularidade da presidente, a última representante de uma época dourada para as mulheres no poder na América Latina.

Além de aprovar a união civil, que beneficia casais gays, e o aborto terapêutico, Bachelet impulsionou durante seu governo um plano de reformas, entre elas a grande reforma da educação, que instalou um sistema progressivo de gratuidade no ensino superior. A lei que estabelece a gratuidade universal permanente ainda é discutida no Congresso.

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