Quinta-feira, 11 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 30 de junho de 2021
Com o acirramento da rivalidade entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Ciro Gomes, ambos pré-candidatos à Presidência, PT e PDT entraram em choque por alianças locais a pouco mais de um ano para as eleições de 2022. Em Estados como São Paulo e Pernambuco, o foco da disputa é o PSB, aliado pedetista nas disputas municipais de 2020 que passou a ser cortejado pelo PT. No Rio, a aproximação entre o PSB e Lula, após a filiação do deputado federal Marcelo Freixo, levou o PDT a acelerar a pré-candidatura de Rodrigo Neves ao governo.
Ex-prefeito de Niterói (RJ), Neves foi filiado ao PT até 2016 e mantém boa relação com lideranças locais do partido, como o vice-presidente nacional petista, Washington Quaquá. Ao lançá-lo como candidato, além de garantir um palanque fluminense para Ciro Gomes, o PDT busca também atrair apoio de nomes de centro como o deputado Rodrigo Maia (sem partido) e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), que vêm sendo cortejados por Freixo, que deixou o PSOL para viabilizar sua candidatura ao governo, e por Lula.
Está previsto, ainda nesta semana, um encontro entre Neves e caciques petistas no Rio, numa tentativa de aproximação inspirada nas alianças entre PDT e PT em 2020 que renderam vitórias em municípios como Niterói, Maricá, Itaboraí e Cabo Frio. Não está descartado um palanque duplo para Lula e Ciro, mas o arranjo nacional é um obstáculo.
“Rodrigo Neves é um bom nome, com pouca rejeição. Mas o problema todo é o Ciro Gomes, que ainda não entendeu que a disputa para o governo federal será polarizada. E isso tem dificultado a aproximação (com o PDT) nos estados”, afirma Quaquá.
No Maranhão, onde há impasse semelhante, Lula conversou com o senador Weverton da Rocha (PDT-MA), pré-candidato ao governo. Weverton é aliado de Ciro e também do governador Flávio Dino (PSB), que apoia Lula.
Em São Paulo, o PT tenta abrir caminho para uma candidatura de Fernando Haddad ao governo e, para isso, fez acenos ao ex-governador Márcio França (PSB). A sondagem petista para lançá-lo ao Senado numa chapa com Haddad esbarra na vontade do próprio França, que tende a apoiar uma candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) ao governo. De olho nos movimentos do PT e tentando manter-se aliado ao PSB paulista, o PDT passou a incentivar nos bastidores um apoio a Alckmin, que deve sair do PSDB e poderia ter França como vice, repetindo o arranjo que foi vitorioso em 2014.
Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, PT e PDT disputam a melhor posição numa chapa do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), ao governo. Kalil ainda não sinalizou apoio nem a Lula, nem a Ciro. Alguns dos nomes que orbitam a provável candidatura de Kalil, como o presidente da assembleia legislativa, Agostinho Patrus (PV), têm boa relação com lideranças petistas. Uma alternativa costurada pelo PDT para garantir palanque a Ciro é trazer de volta à política o ex-prefeito Márcio Lacerda (PSB), rival do PT local.
No Ceará, Lula tem se empenhado em lançar o governador Camilo Santana (PT) ao Senado e pode costurar um apoio do PT ao ex-senador Eunício Oliveira (MDB) para a sucessão estadual. Eunício vem defendendo publicamente a candidatura de Lula contra Ciro, de quem é rival. Já a chapa pedetista ao governo deve ser encabeçada pelo ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio, aliado de Camilo. Recentemente, Eunício alfinetou Cláudio nas redes sociais, insinuando que o adversário teria dado apoio a Eduardo Girão (Podemos), hoje aliado do governo Bolsonaro no Senado, para deixá-lo sem mandato em 2019.
Com a candidatura de Camilo, o PT busca ampliar sua base no Congresso e retirá-lo de palanques do PDT, ou ao menos dividir seu apoio.
“Não creio que Lula vá querer comprar essa briga no Ceará. Camilo vai ter uma certa dificuldade para se equilibrar, mas acredito que, sendo candidato ao Senado, apoiará o PDT ao governo”, afirmou o presidente do PDT, Carlos Lupi.
Ainda no Nordeste, PT e PDT estão decididos a ficar em lados opostos em Pernambuco. Após uma disputa familiar tensa em Recife entre os primos João Campos (PSB), eleito em segundo turno, e Marília Arraes (PT), lideranças petistas acenaram com um apoio ao PSB em 2022 para a sucessão do governador Paulo Câmara, que tem mostrado simpatia à candidatura de Lula. Campos, por sua vez, encabeça a ala do PSB que prega uma terceira via, mas não defende publicamente, por ora, a candidatura de Ciro, que o apoiou em 2020. Para diminuir as resistências à aliança, o PT tem sinalizado ao PSB que Marília perdeu espaço e tenta agendar um encontro entre Lula e Campos.
O movimento desagradou o PDT, que passou a conversar com nomes de oposição ao PSB, como o ex-senador Armando Monteiro (PSDB) e o prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (MDB), filho do líder do governo Bolsonaro no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE).
“Nada contra o Lula, que está no seu direito, mas esse assédio ao PSB ligou o sinal amarelo para nosso plano de ter palanque para o Ciro. Conversamos com nomes da oposição e podemos buscar outras siglas, como o DEM, com as quais temos boa relação em outros estados”, disse o deputado Wolney Queiroz (PDT-PE).
No Piauí, como o governador Wellington Dias (PT) deve reunir sua base em torno de Lula, o PDT já abriu conversas com o Ciro Nogueira (PP-PI), aliado de Bolsonaro e pré-candidato ao governo. As informações são do jornal O Globo.
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