Segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de abril de 2016
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, entrou pessoalmente em contato com a família de Eduardo Marinho Albuquerque, uma das vítimas da queda da ciclovia na Avenida Niemeyer, nesta quinta-feira (21).
Ele disse que a prefeitura busca o diálogo para ressarcir as famílias. O prefeito também voltou a falar sobre o fechamento da ciclovia em caso de ressaca. Segundo Paes, não havia havia recomendação nesse sentido.
Em entrevista coletiva neste sábado (23), o prefeito disse que conversou com um dos cunhados de Eduardo. Segundo ele, representantes da prefeitura também já fizeram contato com a família do gari comunitário da Rocinha, Ronaldo Severino da Silva.
“Busquei contato com as duas famílias, pessoas já conversaram com o cunhado de uma das duas vítimas do acidente. A prefeitura vai buscar, de maneira adequada, um diálogo direto para ressarcir essas pessoas do ponto de vista material”, garantiu Paes.
“Não existe possibilidade de colocá-la (ciclovia) abaixo. Hoje parece meio óbvio que deveria haver um plano de contingência num caso de ressaca, que no mínimo as pessoas fossem informadas para não utilizar a ciclovia em caso de ressaca. Não houve nenhuma recomendação nesse sentido”, disse Paes.
O prefeito, que estava na Grécia para participar da cerimônia de acendimento da tocha olímpica, chegou de viagem na noite desta sexta-feira (22). Paes fez as primeiras declarações sobre o acidente logo após chegar à cidade. Ele disse que houve atraso na obra e concluiu que existiu falha na construção. Paes também anunciou que o presidente da Fundação Geo-Rio, Márcio Machado, pediu afastamento do cargo.
“Nunca houve uma recomendação por parte da Geo-Rio para fechar a ciclovia quando há ressaca. Então, você provavelmente tem um problema estrutural, além de um não encaminhamento de uma operação de uma ciclovia naquelas condições.
Em caso de ressaca, de mar alto, devia-se botar um aviso indicando que a ciclovia não deveria ter sido utilizada. A prefeitura que deveria ter feito isso. Me sinto totalmente responsável.”
TCM indica falhas
Seis meses antes da inauguração da obra da ciclovia entre Leblon e São Conrado, na Zona Sul do Rio, o Tribunal de Contas do Município (TCM) já havia apontado falhas no projeto como trincas e depressões na pista da ciclovia da Avenida Niemeyer.
“Solicita-se a correção das trincas e depressões observadas no pavimento da ciclovia”, diz o documento do TCM, ao tratar da quarta visita ao local.
Na época do último relatório, de outubro de 2015, a Geo-Rio, órgão da prefeitura responsável pela fiscalização do projeto, não respondeu aos questionamentos.
Na primeira entrevista sobre o acidente na sexta-feira (22), o prefeito Eduardo Paes anunciou que o presidente da Geo-Rio, Márcio Machado, pediu afastamento do cargo e ele aceitou.
Em nova entrevista neste sábado (23), Paes se defendeu e disse que a prefeitura nunca ignorou solicitações do Tribunal.
“O TCM contestou a quantidade de pinos que prendiam a lage que se soltou, disse que eram pinos e parafusos demais. Nós mantemos, não ignoramos nenhuma solicitação do TCM. Isso tudo que foi dito pelo tribunal será apurado”, garantiu ele.
Homicídio culposo
A Polícia Civil do Rio abriu inquérito por homicídio culposo (sem intenção de matar) para apurar a queda de 20 metros da ciclovia. A investigação está a cargo da 15ª DP (Gávea) que já fez duas perícias no local do acidente e começou a ouvir testemunhas.
Na próxima semana, serão convocados para prestar depoimento os responsáveis pelo projeto, execução da obra e também fiscalização.
O Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea-RJ) também abriu investigação para apurar as responsabilidades dos engenheiros na obra. (Henrique Coelho/AG)