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Acontece CIEE homenageia Carlos Nobre e Priscila Cruz em premiação que destaca desafios de educação e clima

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Da esquerda para a direita: Carlos Nobre; Humberto Casagrande, CEO do CIEE; e Priscila Cruz.

Foto: Edith Schmidt

 

Reconhecimento a cientista e educadora reforça papel do conhecimento na preparação do país para transformações tecnológicas, ambientais e sociais.

A escolha do climatologista Carlos Nobre e da presidente-executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz, para receber os Prêmios Professor Emérito e Guerreiro da Educação Ruy Mesquita 2026 reflete duas agendas que ganharam centralidade no debate sobre o futuro do Brasil: a adaptação às mudanças climáticas e a melhoria da qualidade da educação.

Os dois foram homenageados nesta quinta-feira (15) pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), durante cerimônia realizada no Teatro CIEE, na capital paulista. Em sua 29ª edição, a premiação reuniu representantes da área educacional, pesquisadores e lideranças do setor para discutir os impactos das transformações tecnológicas e ambientais sobre as novas gerações.

Carlos Nobre recebeu o Prêmio Professor Emérito, destinado a personalidades com destacada contribuição acadêmica e científica. Referência internacional em estudos sobre a Amazônia e mudanças climáticas, o pesquisador dedicou mais de quatro décadas à produção de conhecimento sobre os efeitos do aquecimento global e seus impactos sobre os ecossistemas brasileiros.

Priscila Cruz foi agraciada com o Troféu Guerreiro da Educação, concedido a lideranças que atuam na formulação e defesa de políticas voltadas à melhoria do ensino. À frente do movimento Todos Pela Educação, ela se tornou uma das principais vozes na defesa de avanços na aprendizagem, na gestão educacional e na redução das desigualdades de acesso ao conhecimento.

A aproximação entre os dois homenageados foi um dos principais eixos da cerimônia. Embora atuem em áreas distintas, ambos representam campos considerados estratégicos para o desenvolvimento do país. O debate sobre mudanças climáticas passou a exigir profissionais mais qualificados para atuar em setores ligados à sustentabilidade, enquanto a transformação tecnológica amplia a demanda por competências relacionadas à inovação, adaptação e aprendizado contínuo.

Ao comentar os desafios enfrentados pelos jovens, Priscila destacou que o acesso à escola, embora fundamental, já não basta para responder às exigências de uma economia em rápida transformação. Segundo ela, cresce entre os estudantes a preocupação em desenvolver competências capazes de garantir oportunidades em um mercado de trabalho impactado pela automação e pela inteligência artificial.

Nobre, por sua vez, defendeu o fortalecimento da educação climática e a ampliação do envolvimento das novas gerações na busca por soluções para os desafios ambientais. O cientista destacou iniciativas voltadas à bioeconomia e à valorização da biodiversidade como caminhos para conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

Durante a cerimônia, dirigentes do CIEE ressaltaram que a escolha dos homenageados procura evidenciar temas que deverão influenciar as próximas décadas. O presidente do Conselho de Administração da instituição, José Augusto Minarelli, classificou a educação como instrumento essencial para ampliar oportunidades e promover transformações sociais duradouras.

A premiação foi criada em 1997 para reconhecer personalidades que contribuem para o avanço da educação brasileira. Desde 2023, passou a contemplar duas categorias distintas, ampliando o alcance das homenagens. Ao longo de quase três décadas, nomes ligados à educação, à ciência e à vida pública figuraram entre os agraciados.

A edição deste ano ocorre em um contexto marcado por eventos climáticos extremos, difusão acelerada de tecnologias baseadas em inteligência artificial e desafios persistentes de aprendizagem no sistema educacional brasileiro. Nesse cenário, a homenagem a Carlos Nobre e Priscila Cruz transcende o reconhecimento de trajetórias individuais e reforça a percepção de que conhecimento, inovação e formação de capital humano permanecerão no centro das discussões sobre competitividade e desenvolvimento nas próximas décadas. (por Gisele Flores – gisele@pampa)

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