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| Cientista brasileiro cria robô tão ágil quanto o homem

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João Luiz Ramos controla robô usando apenas traje e óculos especiais. (Crédito: Reprodução)

Nos laboratórios do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, um robô com reflexos humanos apura seus primeiros movimentos. Em vídeo de demonstração divulgado pela universidade, a máquina perfura uma parede seca com um soco com a mesma habilidade que serve um copo de café, manipula uma marreta ou amassa uma lata de alumínio.

E tudo graças a um sistema desenvolvido pelo pesquisador brasileiro João Luiz Ramos, 27 anos, que cursa doutorado na instituição e participa de um programa que é financiado, em parte, pela Darpa (Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa dos EUA), o braço de investimentos em tecnologia do Pentágono.

“O meu projeto é sobre a interface do humano com o robô”, explica Ramos, há dois no Laboratório de Robótica Biomimética do Departamento de Engenharia Mecânica do MIT. “A ideia é construir uma máquina capaz de agir como um ser humano em locais onde o ser humano não possa ir.”

Não se trata de uma máquina autônoma, mas de uma estrutura mecânica controlada a distância por uma pessoa. O operador veste uma espécie de exoesqueleto, cheio de fios, motores e sensores. Todos os movimentos que ele faz com os braços e o tronco são reproduzidos pelo robô. E ele é ágil, o tempo de resposta é de apenas 170 milissegundos, mais rápido que um piscar de olhos. Uma câmera transmite em tempo real imagens para os óculos do controlador, para que ele tenha noção do ambiente e de seus membros.

Mas o destaque do robô, batizado de Hermes, é que ele transfere para o exoesqueleto forças aplicadas ao seu tronco. Dessa forma, ele aproveita os reflexos do piloto para se manter em pé. O equilíbrio é o ponto crítico no desenvolvimento dessas máquinas. Algumas usam o processamento de imagens e complexos algoritmos para ajustar os movimentos necessários para evitar uma queda, mas o tempo de reação pode ser longo demais. O Hermes usa o cérebro humano.

“Essa foi a grande sacada”, frisa Ramos. “É uma forma diferente de transferir para o ser humano algo que está acontecendo com o robô. É como se o robô fosse uma extensão do corpo. O equilíbrio e os reflexos do controlador mantêm o robô de pé.” Sem esse sistema, ao dar um soco, o robô cairia para frente.

Em 2011, se o sistema de resfriamento dos reatores da usina de Fukushima, no Japão, fosse religado até 24 horas após o desligamento, o vazamento de radiação poderia ter sido reduzido ou completamente evitado, mas o único robô disponível, um veículo com rodas e um braço mecânico, era incapaz de lidar com os equipamentos, projetados para serem operados por pessoas. Caso um humanoide como o Hermes existisse, o desastre poderia ter sido minimizado. Outras aplicações possíveis são em operações de resgate, desarmes de bombas e locais contaminados com outros produtos químicos.

Um equipamento semelhante que já está em operação é o Robonauta, desenvolvido pela Nasa (agência espacial americana) para operações arriscadas a bordo da ISS (Estação Espacial Internacional, na sigla em inglês). Composto por tronco e dois braços, o Robonauta é controlado por sensores usados pelo operador, mas não conta com o sistema de equilíbrio.

O Hermes começou a ser construído em fevereiro do ano passado por Ramos e Albert Wang, também estudante de doutorado. Em outubro, o tronco e os braços estavam prontos. A programação começou em maio deste ano, e ele já mostra suas habilidades, apesar de ainda não ser capaz de caminhar. “O próximo passo é fazer ele andar”, afirma o cientista brasileiro.
“A ideia é pegar o projeto do Cheetah [o robô mais veloz do mundo, que imita os movimentos do guepardo, desenvolvido no mesmo laboratório] e implementar no Hermes. Ele será quadrúpede, mas vai poder se apoiar em duas pernas quando for necessário, como para abrir uma porta ou passar por um obstáculo.” (AG)

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