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Saúde Cientistas criam a insulina produzida em laboratório

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(Foto: Reprodução)

Cientistas americanos anunciaram a descoberta de uma proteína capaz de criar células que secretam insulina, o hormônio que regula o nível de glicose no sangue. Como todas as pesquisas relacionadas ao diabetes, a equipe do Instituto Salk, na Califórnia (EUA), tentou primeiro converter células-tronco embrionárias em células beta funcionais, mas não teve sucesso.

Até agora, todos os estudos paravam neste ponto, porque o resultante eram células beta imaturas, incapazes de secretar insulina. Desta vez, porém, o biólogo molecular Ronald Evans conseguiu superar este obstáculo: em um experimento com ratos, ele identificou a proteína ERR-gama, e a acrescentou às células beta imaturas.

Com isso, obteve células funcionais. Depois, o pesquisador percebeu que a quantidade dessa proteína era muito maior em células funcionais do que nas imaturas, acelerando o crescimento das mitocôndrias – organela celular responsável pelo metabolismo da glicose e a síntese de energia do organismo.

Era como se o motor produtor da insulina tivesse sido “ligado”. “Encontramos o elemento que faltava para a produção de células beta humanas robustas e funcionais, e que pode levar a um novo tratamento para o diabetes”, conta Evans, que publicou seu estudo na revista Cell Metabolism. “Superamos um grande bloqueio.” De acordo com o pesquisador, a ERR-gama tem ação importante em diversos tipos de célula, como as musculares e as cerebrais, já que permite a produção rápida de energia. “Quando eliminamos esta proteína dos animais, a resposta à glicose é eliminada. Isso mostra como a ERR-gama é importante para conseguirmos uma célula beta funcional”, explica Evans. “Esta produção poderá ser ininterrupta. É uma nova era no tratamento do diabetes”, prevê.

Para Michael Downes, coautor do estudo, o avanço resultará em uma resposta muito melhor controlada da insulina do que a disponível atualmente. “Antes não se sabia nada sobre o processo de maturação das células beta. Procuramos em uma caixa preta e agora sabemos o que está ali”, assinala ele, que classifica a técnica como fácil, rápida e barata.

Diabetes avança no planeta.

Recentemente, a OMS (Organização Mundial de Saúde) divulgou um relatório alertando que o número de diabéticos no mundo é quatro vezes maior do que em 1980, passando de 108 milhões para 422 milhões em 2014.

Níveis elevados de açúcar no sangue estão relacionados a 3,7 milhões de mortes por ano, de acordo com a OMS. A OMS diz que os números continuarão a aumentar se “ações drásticas” não forem tomadas. O relatório coloca os tipos 1 e 2 de diabetes juntos, mas o aumento de casos se deve principalmente ao tipo 2, que está ligado à alimentação pouco saudável. Com o aumento do número de pessoas acima do peso no mundo – atualmente, uma em cada três tem sobrepeso –, os casos de diabetes também aumentaram.

“O diabetes é uma doença silenciosa, mas está em uma marcha implacável que precisamos interromper”, diz Etienne Krug, da OMS. O descontrole de níveis de açúcar no sangue tem consequências devastadoras. Ele triplica os riscos de ataque cardíaco e aumenta em 20 vezes as chances de a pessoa ter a perna amputada, além de aumentar os riscos de derrame, falência nos rins, cegueira e complicações na gravidez. A OMS identificou ainda que o número de casos da enfermidade aumentou principalmente nos países em desenvolvimento. No Brasil, existem cerca de 16 milhões de diabéticos. (AG)

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