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Geral Cientistas descartam aumento de ondas de calor ligadas ao El Niño

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O fenômeno se caracteriza pelo aumento das temperaturas médias das águas do Oceano Pacífico, o que afeta todo o sistema climático mundial. (Foto: Reprodução)

Uma estimativa do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), divulgada no fim de agosto, indicava que o País poderia enfrentar pelo menos seis ondas de calor até o fim do ano em razão do fenômeno El Niño. Agora, no entanto, o Cemaden alterou o diagnóstico: não prevê mais fortes ondas de calor para 2026.

De acordo com o coordenador-geral de pesquisa e desenvolvimento do Cemaden, José Marengo, a estimativa tinha sido feita com base no que havia ocorrido sobretudo em 2015/2016 e 2023/2024, quando foram registrados El Niños particularmente fortes. O fenômeno se caracteriza pelo aumento das temperaturas médias das águas do Oceano Pacífico, o que afeta todo o sistema climático mundial.

“Nesses anos houve muitas ondas de calor na primavera”, afirmou Marengo. “E tivemos também as águas do Atlântico Tropical Norte muito quentes juntamente com o El Niño.”

Neste ano, salvo pequenas anomalias, não foi registrado aumento da temperatura média das águas do Atlântico Tropical Norte. “Novos cálculos que fizemos mostram uma perspectiva de poucas ondas de calor”, afirmou o pesquisador. “Claro que ainda estamos na primavera, o verão nem começou, o que pode trazer mudanças, mas, por enquanto, nada aponta para isso.”

Isso não quer dizer que o El Niño deste ano será brando. Novos dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgados na semana passada, indicam que o fenômeno climático deve atingir seu pico em dezembro, e há praticamente 100% de certeza que se estenderá pelo menos até fevereiro. “Poderá ser um dos mais fortes desde pelo menos 1950”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, em comunicado oficial.

A OMM informou ainda que as temperaturas das águas do Pacífico devem atingir um recorde de 3,7 °C acima da média entre outubro e dezembro. No El Niño de 2015/2016, por exemplo, a temperatura foi de 2,6°C acima da média. A agência da ONU para o clima aponta que o El Niño deverá ser um dos mais fortes registrados até hoje.

O fenômeno meteorológico natural vai provocar um aumento das temperaturas em grande parte do planeta, descreveu a agência no boletim mensal sobre o clima global; o impacto deve agravar os efeitos das mudanças climáticas causadas pela humanidade. “É provável que isso leve a temperaturas acima da média em grande parte do planeta e altere os padrões de precipitação, um cenário no qual aumentaria o risco de secas e inundações em diversas regiões”, aponta o documento.

O atual El Niño também já produz efeitos em diferentes partes do mundo e agrava a seca na América Central, com impactos sobre plantações e animais. O fenômeno, detalha a agência, não produz calor adicional, mas libera para a atmosfera parte do calor armazenado no oceano, que já apresenta temperaturas recordes.

O El Niño tende a elevar as temperaturas globais e a perturbar os padrões de chuva em grandes regiões – o que significa seca em algumas áreas e chuvas intensas em outras. O fenômeno costuma ocorrer em intervalos que podem variar de dois a sete anos. No caso do Brasil, o El Niño costuma provocar mais chuvas na Região Sul do País, secas no Norte e no Nordeste e ondas de calor no Sudeste.

Pesquisadores do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago previram, no mês passado, que o “super El Niño” deste ano provavelmente resultaria em até 451 mil mortes a mais em todo o mundo, de junho a fevereiro de 2027. Segundo estimativas do Climate Impact Lab, da Universidade de Chicago, os países em desenvolvimento devem estar entre os mais afetados pela mortalidade associada ao calor provocado pelo fenômeno entre junho e fevereiro.

De acordo com os cálculos, que ainda não foram revisados por outros especialistas, mas serão publicados em breve em uma revista científica, a região africana do Sahel pode registrar 66.800 mortes adicionais por calor em comparação com um ano normal. Quase metade delas ocorreria na Nigéria.

A Indonésia pode registrar 19.300 mortes adicionais, enquanto o balanço chegaria a 19.400 no conjunto formado por Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja, 15.800 na Índia e 13.300 no Brasil.

Para chegar a esses números, o Climate Impact Lab se baseou em pesquisas sobre a relação entre temperatura e excesso de mortalidade em 24.378 regiões, levando em consideração o clima local e a vulnerabilidade de cada área. Em seguida, o grupo cruzou esses resultados com previsões de temperatura de longo prazo para estimar o número de mortes adicionais atribuíveis ao El Niño em comparação com a média do período de 1996 a 2025.

Em 22 de setembro, a Organização das Nações Unidas (ONU) já havia alertado para a “ameaça significativa” representada pelas diversas possíveis consequências do El Niño para a saúde. Além do calor, que pode agravar determinadas doenças, o fenômeno pode piorar a qualidade do ar devido aos incêndios e favorecer a desnutrição e a cólera em consequência de secas e inundações. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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