Domingo, 24 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 25 de maio de 2015
Depois de Katmandu, o terremoto no Nepal sacudiu também uma noção preconcebida comum entre jornalistas de ciência. Há pesquisadores respeitáveis investigando a hipótese de que a mudança climática deflagrada pelo aquecimento global possa, sim, tornar terremotos e erupções vulcânicas mais frequentes.
Não seria nada inédito na História. Um exemplo na escala geológica (o planeta tem mais de 4 bilhões de anos) ocorreu entre 20 mil e 12 mil anos atrás, ao término do último período glacial.
A retração de geleiras continentais com quilômetros de espessura aliviou a pressão sobre a crosta terrestre o bastante para desencadear intensa atividade vulcânica. Há boas evidências disso em lugares como a Islândia.
O geólogo britânico Bill McGuire tem uma teoria ainda mais preocupante. Ele acha que a elevação dos mares em 100 metros, causada pelo derretimento das calotas de gelo, teria deflagrado também terremotos e tsunamis (o que poderia se repetir a partir de agora, com o aquecimento da atmosfera).
No caso do terremoto de Katmandu, o mecanismo pressuposto para pôr a culpa no clima é outro: chuva. Não uma pancada qualquer, mas as poderosas monções que castigam Índia e Nepal de junho a agosto.
Quanto a terremotos causados pelo aquecimento, ninguém precisa sair comprando kits de sobrevivência. O degelo da última glaciação demorou milhares de anos, e as piores previsões para a subida no nível dos oceanos indicam não muito mais que 1 ou 2 metros até o final deste século. (Marcelo Leite/Folhapress)
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