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Ciência Cientistas são comparados a heróis em meio à pandemia na Europa

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Dr. Christian Drosten, chefe do Departamento de Virologia, na Universidade Charité, em Berlim. (Foto: Christophe Gateau/Picture Alliance/via Getty Images)

Se não fosse pela necessidade de isolamento social, muitos especialistas em saúde estariam sendo parados nas ruas para tirar selfies. Mas, em vez disso, eles estão recebendo mensagens carinhosas nas redes sociais. Essas novas celebridades que estão surgindo na Europa, enquanto o coronavírus deixa seu rastro mortal, não são atores, nem cantores ou políticos. São epidemiologistas e virologistas que tiveram seus nomes revelados após passar boa parte de suas vidas no anonimato.

Enquanto médicos e enfermeiros tratam seus pacientes na linha de frente, esses profissionais, que passaram muito tempo estudando em bibliotecas e laboratórios, tornaram-se as fontes mais confiáveis de informação em tempos de incertezas e desinformação. Sociedades assoladas pelo coronavírus e desesperadas por respostas têm buscado esses especialistas, transformando-os heróis nacionais.

“Em meio a uma crise, muitos questionamentos humanos vêm à tona, como crises de identidade, insegurança e falta de autoestima”, lembrou Elaine Kinsella, professora de Psicologia da Universidade de Limerick, na Irlanda. “Os heróis surgem neste momento como forma de suprir, em parte, essas necessidades humanas básicas.”

Os cientistas-heróis que têm aparecido em meio à pandemia do coronavírus não têm, obviamente, o carisma de líderes políticos, mas demonstram profundo conhecimento e, muitas vezes, compaixão.

Na Itália, uma das nações mais devastadas, o Massimo Galli, diretor do departamento de doenças infecciosas no Hospital Universitário Luigi Sacco, em Milão, teve que trocar seu jaleco por um paletó e aceitou ter “sua identidade superexposta na mídia” a fim de manter as coisas no caminho certo, contou ao participar de um talk-show. Para ele, o distanciamento social é “a mãe de todas as batalhas”. Entre uma apresentação e outra, ele retorna às pesquisas com seus colegas de laboratório.

Na Grécia, que tem conseguido manter o surto controlado, todos prestam atenção quando o professor Sotirios Tsiodras aparece, diariamente, às 18h. Representante governamental da área médica em meio à pandemia do coronavírus, ele decretou na Grécia as medidas mais restritivas da Europa, o que parece estar funcionando já que o país conta com apenas 68 mortes. A Bélgica, por exemplo, que tem o mesmo número de habitantes (10 milhões), já registrou 1.283 mortes.

Segundo Theo Anagnostopoulos, fundador da SciCo, uma consultoria de comunicação, o professor Tsiodras reúne características-chave: tem empatia e é capaz de se aproximar de qualquer pessoa mostrando experiências comprovadas.

“É como se ele fosse um de nós”, disse Anagnostopoulos. “É humilde, carinhoso, mas inegavelmente um grande especialista no assunto.”

Christian Drosten surgiu como a voz da Ciência na Alemanha, onde o impacto do vírus foi fortemente sentido, apesar do baixo número de mortos. Os colegas o descrevem como um herói incomum. Por várias semanas, o chefe do Departamento de Virologia, na Universidade Charité, em Berlim, foi o convidado mais requisitado pelos talk-shows da televisão e é a estrela de um podcast diário, lançado em fevereiro.

A chanceler Angela Merkel e seu ministro da Saúde, Jens Spahn, também chamaram o Drosten para ser o representante do governo em meio à crise do coronavírus, o que ele recusou dizendo “não sou político, sou um cientista”. “Fico feliz por explicar o que eu sei”, afirmou. “As descobertas científicas têm que ser comunicadas a todos de forma transparente, para que todos possam compreender a situação completa. Mas também sou honesto com relação àquilo que não sei.”

Na Espanha, o país mais atingido na Europa depois da Itália, foi a vez de Fernando Simón, diretor do Centro de Emergência Espanhol, tornar-se um herói. Após testar positivo para o coronavírus no final de março, comoveu a nação e recebeu muitos votos de “melhoras”. As informações são do jornal The New York Times.

 

 

 

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