Sábado, 20 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 8 de novembro de 2018
Fernando Haddad (PT) visitou Lula na prisão na quarta-feira (07) junto com advogados. Segundo relatos, o ex-presidente está cético em relação aos futuros julgamentos que enfrentará na Justiça. Acredita que o clima no País dificulta uma análise serena de sua defesa, informou a colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo.
Lula falou também sobre Ciro Gomes. Disse que não esperava que o pedetista se ausentasse por completo do segundo turno das eleições – ele foi passear na Europa na ocasião. Ainda assim, afirmou que separa questões políticas das pessoais e elogiou: “Ciro é um ser humano que vale a pena”.
Lula falou ainda sobre o juiz federal Sérgio Moro, que o condenou na Operação Lava-Jato. Afirmou que sempre acreditou que o juiz militaria fora da magistratura, pois o considerava um quadro político. Mas disse que se surpreendeu com a rapidez com que isso ocorreu. Moro assumirá o Ministério da Justiça no governo de Jair Bolsonaro (PSL).
Oposição a Bolsonaro
Os ex-presidenciáveis Ciro Gomes e Marina Silva (Rede) se encontraram na quarta-feira para discutir uma aliança que contará com os dois partidos na oposição ao governo Jair Bolsonaro e excluirá o PT.
A ex-senadora disse que “foi uma conversa inicial” na intenção de estabelecer “uma oposição democrática, que coloque em primeiro lugar o País”. A reunião foi na sede nacional da Rede, em Brasília. “Tenho dito que é preciso uma oposição em que não haja sede de protagonismo, nem vinda de partidos nem de lideranças políticas, com cunho puramente eleitoral”, afirmou.
Em uma rede social, o ex-ministro escreveu que procurou sua adversária no primeiro turno para falar “sobre o futuro do Brasil, principalmente em relação à defesa da institucionalidade democrática, dos interesses nacionais e da pauta das populações mais vulneráveis”.
Segundo Marina, está em discussão a formação de um bloco de partidos que inclua outras siglas além do PDT e da Rede, mas descolado do PT. Membros do PPS e do PSB também fazem parte das negociações. “A ideia é ter um bloco que possibilitará a esses partidos ter uma relação independente em relação à forma como o Partido dos Trabalhadores sempre se coloca, no seu grande guarda-chuva da oposição”, disse ela.
Na opinião da ex-senadora, a “realidade de esgarçamento político” pede que parlamentares de diferentes siglas, ainda que independentemente, atuem em torno de eixos como “a defesa do desenvolvimento sustentável, do Estado democrático de Direito, das instituições democráticas e do interesse nacional”. A discussão sobre a formação do bloco está mais avançada no Senado, mas a ideia é replicar o modelo na Câmara dos Deputados.
A Rede elegeu apenas uma deputada federal e não atingiu a cláusula de barreira, o que deve levar a legenda a buscar alternativas como a incorporação por outro partido. Há conversas em andamento com PV e PPS, mas o modelo não está definido. O assunto ainda será discutido internamente.
A sigla da ex-ministra do Meio Ambiente teve desempenho melhor na eleição para o Senado, com cinco vitoriosos. O PDT terá uma bancada com 28 parlamentares na próxima Legislatura na Câmara. No Senado, serão dois representantes.
Marina declarou apoio crítico a Haddad no segundo turno da eleição para o Planalto. Ciro frustrou a campanha do ex-prefeito de São Paulo ao anunciar, na véspera da votação, que não tomaria lado na disputa – o PT esperava um aceno explícito dele.

Ciro Gomes e Marina Silva em encontro. (Foto: Reprodução/Twitter)
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