Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 3 de agosto de 2018
O candidato à Presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes, lamentou nesta sexta-feira estratégia do PT de tentar isolá-lo na disputa eleitoral e disse que a burocracia do partido atua como se ele fosse uma religião.
Em carta pública, intitulada “Muita calma nesta hora”, Ciro Gomes afirma que a sigla não é em “nenhuma hipótese” inimiga, mas que o País não aguenta uma “aposta no escuro”. “Compreendamos com humildade e paciência o péssimo momento que a burocracia do PT está vivendo. Já não é mais política, é religião, culto à personalidade, pragmatismo da cúpula de uma organização que parece não querer aprender mais nada”, disse o pedetista.
Ciro Gomes critica a insistência do PT na candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a qual chama de uma “viagem lisérgica”. Segundo ele, tentam enganar os eleitores que adoram o dirigente petista. “Não deixarão Lula ser candidato! Até as pedras do caminho sabem disso! Pior, a burocracia do PT também sabe muito bem disso. Ou seja, é para bailar à beira do abismo que os burocratas do partido convidam a nação brasileira”, apontou.
Segundo o candidato do PDT, caso fosse possível a candidatura do petista, muito provavelmente os dois estariam juntos. “Então fiquemos assim. Se for verdade que Lula será candidato, conversemos. Se não for, por favor, Brasil: muita calma nessa hora! Nosso País não aguentará outra aposta no escuro”, disse. No documento, Ciro afirma ainda que a cúpula petista cometeu uma “violência” e um “grosseiro equívoco” ao distanciá-lo do PSB.
Ele diz que “parte deslumbrada” da direção nacional da legenda quis imitar “comandantes da roubalheira”, em uma referência ao MDB e ao PSDB. “A cúpula do PT terá de se haver perante a história com as consequências de seus atos de agora”, disse. Segundo ele, a política pode ser um jogo “muito cruel”, revelando “os extremos da alma humana”.
Na última quarta-feira, PT e o PSB fecharam apoios em Pernambuco e Minas Gerais, o que levará o segundo a anunciar neutralidade na disputa presidencial.
De dentro da prisão
Conforme o jornal Folha de S.Paulo, Lula, mesmo preso há 116 dias na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, coordenou os principais movimentos da pré-campanha até agora. Pelos seus cálculos, a eleição será novamente polarizada entre direita e esquerda e só há espaço para um nome de cada campo. Ciro seria o adversário direto do PT na competição por votos, principalmente entre os eleitores do Nordeste.
O petista mandou recados por meio de pessoas que o visitam na prisão. Deu aval para decisões terminativas da presidente de seu partido, Gleisi Hoffmann (PR), para pelo menos cinco atos que reverberaram contra Ciro: sinalizou com a vice do PT para Manuela D’Ávila (PCdoB) no momento em que o partido era assediado pelo PDT; repreendeu governadores petistas que defendiam aliança com Ciro; assistiu ao PR, de Valdemar Costa Neto, levar o centrão para a órbita de Geraldo Alckmin (PSDB) em vez de fechar acordo com o PDT e, em seguida, fez pesar sua relação familiar de anos na negativa do empresário Josué Alencar (PR) em ser vice do tucano.
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