Quarta-feira, 30 de setembro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Política Cirurgia de Lula mostra que o País vai ter que lidar com o tema de sua saúde e idade

Compartilhe esta notícia:

Ele criticou a demora da Justiça e do governo de São Paulo na punição severa dos policiais envolvidos no crime. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Conforme muitas análises publicadas imediatamente após a divulgação da notícia, a cirurgia sofrida pelo presidente Lula da Silva, na madrugada de terça-feira (10), jogou luz sobre a sucessão de 2026 para o Palácio do Planalto – ainda que o assunto já ocupasse muitos corações e mentes bem antes de Lula ser submetido à drenagem de um hematoma provocado por hemorragia intracraniana, consequência do tombo que levou enquanto cortava as unhas do pé.

Entre avaliações mais sensíveis e cuidadosas diante do estado de saúde do presidente, e outras que mal escondem o desejo de antecipação de sua retirada de cena, houve também aquelas que são negação em estado bruto: a sensação, exibida especialmente por morubixabas lulopetistas, de que é uma impossibilidade histórica não poder contar com a sua presença em 2026. Afinal, segundo tal ótica, Lula é o presidente da República, a maior liderança do Partido dos Trabalhadores (PT) e inquestionavelmente o maior triunfo da esquerda para enfrentar o bolsonarismo. E é mesmo. Poucos hão de duvidar que o futuro de Lula afetará diretamente as possibilidades de um partido com evidente dificuldade de encontrar um sucessor.

Mas a cirurgia de Lula e as incertezas dela decorrentes – incluindo uma segunda intervenção, anunciada ontem – mostram que, daqui para a frente, o Brasil precisará lidar, aberta e responsavelmente, com a questão. É o momento de reconhecer que, pelo menos nos próximos dois anos, a saúde de Lula será um tema nacional.

Não é uma discussão trivial, mas um imperativo, levando-se em conta tanto a saúde do presidente quanto sua idade. Como se sabe, hoje com 79 anos, o presidente terá 81 em 2026 – e encerrará um eventual segundo mandato com respeitáveis 85 anos. Se fosse um cidadão comum, suas condições de saúde só interessariam a ele próprio e à sua família. Mas Lula é, repita-se, o presidente da República. Não se trata de preconceito ou etarismo, como alguns argumentam, mas uma inevitabilidade da vida: é direito do País refletir sobre a capacidade de um mandatário – qualquer mandatário, diga-se – de entender a realidade à sua volta e de tomar as melhores decisões, assim como demonstrar condições físicas boas o suficiente para lidar com a rotina e as pressões que a Presidência exige.

As consequências do seu tombo podem ter sido agravadas em decorrência da idade, informam análises médicas. Se bem mais jovem, nem o tombo de outubro nem o hematoma de agora produziriam o que produziram. Pouco antes de ser levado ao hospital, Lula estava abatido, cansado, com dor e mal-estar, com a missão de liderar uma reunião importantíssima, destinada a estancar o sangramento político do governo no Congresso. Imaginar se o presidente estava em condições num momento delicado como esse, que lhe exigiria argúcia e preparo, está longe de ser um exercício restrito a cassandras antipetistas. Que Lula, o PT e seus aliados se acostumem com a ideia de se verem questionados sobre esse tema sensível.

O exemplo do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, é inevitavelmente uma inspiração. Durante meses, a Casa Branca e lideranças do Partido Democrata tentaram ao máximo varrer para baixo do tapete o tema da idade de Biden. Quem ousasse questionar sua capacidade mental era tratado como uma agente de desinformação da extrema direita. A ideia de que ele estava em forma para um novo mandato só fracassou mesmo num debate com Donald Trump: com lapsos, incoerências, gaguejos e outras demonstrações de fragilidade, Biden gerou a pressão definitiva para que renunciasse à candidatura. A saída tardia da disputa complicou ainda mais o que já era difícil para os democratas, e o demagogo Trump foi eleito.

Mas que fique claro desde já: velhice não é sinônimo de senilidade, muito menos de doença. O que estará em questão, isso sim, é se Lula tem saúde e lucidez compatíveis com os imensos desafios à sua frente. Encarar esse debate é não só legítimo, como incontornável. (Estadão Conteúdo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Com dificuldades financeiras, Regininha Poltergeist vende empadas no Rio
Prefeitura de Porto Alegre discute estratégias para lidar com indivíduos acumuladores
Pode te interessar