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Saúde Cirurgia inovadora para Parkinson pode garantir mais de uma década de autonomia e qualidade de vida

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A doença de Parkinson é progressiva, mas a estimulação cerebral profunda permite que o paciente viva melhor por muito tempo. (Foto: Reprodução)

A cirurgia cerebral realizada no cantor e compositor Moacyr Luz, que convive há quase duas décadas com a doença de Parkinson, reacendeu o debate sobre um dos tratamentos mais avançados disponíveis hoje para pacientes com sintomas motores difíceis de controlar. Não por acaso, a intervenção a que o sambista foi submetido figurou entre as notícias positivas que marcaram 2025: a chamada estimulação cerebral profunda (DBS), embora não interrompa a progressão da doença degenerativa, pode oferecer anos de melhora significativa na qualidade de vida.

“A doença de Parkinson é progressiva, mas a estimulação cerebral profunda permite que o paciente viva melhor por muito tempo”, explica o neurologista e professor da Universidade Iguaçu (Unig), Antonio Catharino. “Em muitos casos, os benefícios se mantêm por cinco, dez ou até 15 anos”, completa.

Estudos clínicos publicados em 2021 na revista científica Neurology indicam que a estimulação cerebral profunda (DBS) pode manter benefícios importantes por mais de uma década em pacientes com doença de Parkinson. Em grupos acompanhados por até 15 anos após a cirurgia, foram observados avanços sustentados em sintomas motores como tremor, rigidez e flutuações motoras, além de redução da necessidade de medicamentos. Embora o procedimento não interrompa a progressão da doença, os dados mostram que ele pode garantir anos adicionais de autonomia, funcionalidade e melhor qualidade de vida a portadores de Parkinson. Além disso, reduz a dosagem necessária de levodopa — medicamento que repõe as dosagens de dopamina no cérebro, fundamental no tratamento.

O DBS atua regulando a atividade elétrica de áreas específicas do cérebro responsáveis pelos movimentos. Com isso, é possível reduzir em torno de 50% a 60% os principais sintomas motores da doença, causada pela perda de células produtoras de dopamina no cérebro. Além de sintomas motores, o Parkinson acarreta possíveis problemas de fala e cognitivos.

“A redução da dose de levodopa pode chegar a 30% ou até 60%, o que também melhora os efeitos colaterais de um tratamento prolongado”, afirma Catharino. Na prática, isso significa mais autonomia para atividades do dia a dia, menos limitações físicas e maior participação social, que são fatores fundamentais para o bem-estar emocional do paciente e da família.

Um dos pontos menos conhecidos é que pacientes submetidos ao DBS tendem a manter melhores índices funcionais ao longo da evolução da doença quando comparados àqueles que seguem apenas o tratamento medicamentoso. “Mesmo com a progressão natural do Parkinson, a incapacidade pode ser retardada. Há redução do risco de quedas, menor necessidade de hospitalizações e mais independência por um período prolongado”, explica o neurologista.

Os melhores resultados são registrados em casos com diagnóstico bem definido de Parkinson idiopático e boa resposta prévia à levodopa, um preditor importante de sucesso do DBS. De acordo com o especialista, a intervenção é contraindicada para pessoas com quadros psiquiátricos graves, como depressão não controlada ou psicose, que podem ser agravados pela cirurgia. Pacientes mais jovens, geralmente abaixo dos 70 ou 75 anos, tendem a apresentar respostas mais duradouras, embora a idade, por si só, não seja uma contraindicação absoluta. “O importante é uma seleção bem criteriosa dos pacientes e o acompanhamento multidisciplinar pós-operatório, fundamental para diminuir os riscos e melhorar os resultados”, explica o médico.

Apesar dos benefícios, o professor da Unig alerta que o DBS não atua sobre todos os sintomas. Alterações de marcha, equilíbrio, fala e sintomas cognitivos costumam responder pouco ao tratamento, e a doença segue seu curso natural.

“Entender esses limites é importante para alinhar expectativas. O DBS não é cura, mas é uma ferramenta poderosa para melhorar a vida do paciente por muitos anos”, ressalta Catharino.

A estimulação cerebral profunda é considerada um procedimento seguro quando realizada por equipes experientes como a que atendeu Moacyr Luz, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. As complicações graves são raras. As informações são do jornal Extra.

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