Segunda-feira, 25 de Maio de 2020

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Notícias Cirurgia proporciona melhor qualidade de vida para pacientes da doença de Parkinson

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Paciente permaneceu acordada durante o procedimento. (Foto: Caroline Silvestro/HSVP)

Além de curar males e salvar vidas, a ciência tem permitido melhor qualidade de vida para pacientes de diversas doenças, inclusive aquelas ainda incuráveis, como a de Parkinson. O distúrbio degenerativo do sistema nervoso causa tremores, rigidez e lentidão de movimentos, dentre outras complicações, mas os avanços da Medicina estão aí proporcionar novas esperanças.

É o caso da DBS (Estimulação Cerebral Profunda, na sigla em inglês). Ana Maria Delasanta, 60 anos, de Palmeira das Missões, convive com o Parkinson há oito anos e os remédios já não fazem mais o efeito esperado. Recentemente, ela foi submetida ao procedimento, por meio do SUS (Sistema Único de Saúde) pela primeira vez no Rio Grande do Sul.

Os neurocirurgiões Diego Dozza (Hospital São Vicente de Paulo, de Passo Fundo) e Alexandre Reis (Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre), junto com uma equipe de enfermeiros, foram responsáveis pela operação, de alta complexidade e que durou cinco horas.

A técnica consiste em implantar um cateter/eletrodo em um ponto específico do cérebro e conectá-lo a um tipo de “gerador” sob a pele do peito. Por meio desse dispositivo, o médico programa a intensidade de sinal enviado para controlar os sintomas da doença.

“Há várias medicações e combinações possíveis para o auxílio do tratamento do Parkinson, mas em determinado momento pode ocorrer efeito colateral, falha da medicação ou a própria progressão da doença com outros sintomas de mais difícil controle. É nesse momento que surge a indicação da realização da cirurgia”, explica Dozza.

“O objetivo primário do procedimento é reequilibrar o circuito cerebral através de uma estimulação elétrica seletiva e reversível do núcleo selecionado, melhorando o déficit neurológico e também comportamental, ou seja, a pessoa vai ficar mais funcional”, acrescenta o especialista, destacando o empenho do Hospital São Vicente de Paulo para implementar a cirurgia e a parceria com a empresa que disponibiliza os equipamentos.

O procedimento minucioso e delicado foi realizado com a paciente acordada, a fim de perceber a melhora dos sintomas durante a cirurgia. Ana colaborou com o procedimento respondendo às perguntas dos profissionais. A cirurgia correu bem, sem efeitos colaterais, e Ana recebeu alta. Para ela e seus familiares, a operação é a esperança de dias melhores. “Agora é esperar a recuperação e os resultados. A paciente prossegue em processo de recuperação pós-operatória e em 20 dias o gerador será ligado.

Acompanhamento

A cirurgia de DBS já existe há 25 anos, com mais de 80 mil cirurgias realizadas em todo o mundo, motivando mais de 10 mil publicações científicas sobre o assunto. Apesar do resultado muito positivo, Dozza frisa que o procedimento não traz uma cura para a doença, até porque a pessoa afetada ainda precisa tomar medicação e manter o acompanhamento multidisciplinar com fisioterapia e fonoterapia.

O candidato perfeito para a cirurgia é aquele com menos de 70 anos, com no mínimo quatro anos de doença, que apresentou boa resposta às medicações, sem alteração cognitiva, que apresenta efeito colateral da medicação e que tenha bom entendimento sobre o procedimento”.

(Marcello Campos)

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