Sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Por Gisele Flores | 23 de outubro de 2026
Processo de licença foi conduzido pela Fepam, com avaliação dos estudos ambientais e abertura à participação da sociedade.
Foto: Vitor Rosa/Secom
Aval ambiental da Fepam permite avanço do Projeto Natureza, considerado o maior investimento privado da história gaúcha; complexo industrial terá capacidade para produzir 3 milhões de toneladas por ano
A multinacional chilena CMPC recebeu nesta sexta-feira a Licença Prévia (LP) para o Projeto Natureza, empreendimento estimado em R$ 27 bilhões que prevê a construção de uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro e uma estrutura logística integrada voltada à exportação da produção. A autorização, emitida pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), representa um marco para a economia gaúcha e abre caminho para uma das maiores iniciativas industriais em desenvolvimento no país.
Considerado pelo governo do Estado o maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul, o projeto tem potencial para ampliar a participação gaúcha no mercado global de celulose e consolidar uma nova etapa da expansão da cadeia florestal brasileira, impulsionada pela crescente demanda internacional por fibras de origem renovável.
A licença foi entregue em cerimônia realizada no Palácio Piratini, com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, do governador Eduardo Leite, de dirigentes da Fepam e de executivos da companhia. Embora não autorize o início das obras, a decisão reconhece a viabilidade ambiental do empreendimento e permite que a empresa avance para a próxima etapa do licenciamento.
“O Projeto Natureza é um investimento estratégico para o Rio Grande do Sul e para o Brasil, com potencial para gerar empregos, ampliar a produção industrial e fortalecer nossas exportações. O país tem vantagens competitivas na silvicultura e precisa transformá-las em mais oportunidades, sempre conciliando desenvolvimento econômico e proteção ambiental”, afirmou Alckmin.
Para Leite, o avanço do projeto demonstra a capacidade do Estado de atrair investimentos de grande porte com segurança jurídica e responsabilidade ambiental. “Estamos falando de R$ 27 bilhões em investimentos, com potencial para impulsionar a indústria gaúcha e gerar milhares de empregos. A Licença Prévia é um passo importante nessa trajetória, resultado de uma análise técnica rigorosa da Fepam”, disse.
O Projeto Natureza vai além da implantação de uma unidade industrial. O plano contempla investimentos em infraestrutura logística, incluindo um terminal próprio para exportação de celulose no Porto de Rio Grande, estimado em cerca de R$ 1,5 bilhão. A estrutura busca ampliar a competitividade internacional da operação e fortalecer a capacidade exportadora do Estado.
A fábrica foi projetada para produzir 3 milhões de toneladas anuais de celulose branqueada de eucalipto, volume que a colocará entre as maiores plantas do setor na América Latina. O empreendimento utilizará tecnologia Kraft e deverá gerar toda a energia necessária para sua operação por meio do reaproveitamento de subprodutos industriais, com possibilidade de comercialização do excedente energético.
Os impactos econômicos previstos são expressivos. Segundo as projeções da empresa, a fase de implantação poderá mobilizar até 12 mil trabalhadores no pico das obras. Quando entrar em operação, a unidade deverá gerar cerca de 800 empregos diretos e outros 1,5 mil postos permanentes terceirizados, além dos efeitos indiretos sobre transporte, comércio, serviços e fornecedores da cadeia florestal.
Para o presidente da Fepam, Renato Chagas, a emissão da licença demonstra que desenvolvimento econômico e proteção ambiental podem avançar de forma conjunta. “A Licença Prévia resulta de um trabalho conduzido com rigor e transparência pela Fundação. O processo observou a legislação, considerou as contribuições da sociedade e reforça que é possível conciliar desenvolvimento econômico, segurança jurídica e responsabilidade ambiental”, afirmou.
A emissão da LP encerra uma etapa decisiva do processo, mas o empreendimento ainda precisará cumprir condicionantes ambientais e obter a Licença de Instalação antes do início das obras. Mesmo assim, a autorização representa um sinal importante para investidores e para o setor florestal, que vê no Rio Grande do Sul uma das principais fronteiras de crescimento da indústria de celulose no Brasil. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)
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