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Colunistas CNH: flexibilizar regras não pode significar colocar vidas em risco

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Dirigir um veículo é uma atividade de risco que exige condições físicas e mentais adequadas. Cada condutor, ao assumir o volante, impacta não apenas a própria vida, mas também a de terceiros. Por isso, qualquer mudança nos critérios de habilitação e renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) deve ter como prioridade a saúde pública e a proteção à vida.

O Brasil enfrenta uma realidade alarmante no trânsito. São mais de 32 mil mortes por ano, o que equivale a cerca de 92 óbitos por dia. Diante desse cenário, o Núcleo de Medicina do Tráfego do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) manifesta preocupação com as recentes alterações no processo de habilitação e renovação da CNH. Entre elas, destacam-se a ampliação dos prazos de validade do documento e a possibilidade de renovação automática, sem exame médico, para condutores considerados “bons motoristas”.

Desde a década de 1960, com a implantação da obrigatoriedade do exame médico para condutores, o país deu passos importantes na prevenção de sinistros de trânsito. É, também, importante esclarecer que o exame médico não representa uma restrição ao direito de dirigir. Pelo contrário, trata-se de uma ferramenta de proteção ao próprio condutor e à sociedade.

A renovação da CNH deve ser entendida como uma oportunidade de prevenção em saúde. Alterações visuais, arritmias cardíacas, epilepsia, doenças cerebrovasculares, transtornos mentais e até efeitos colaterais de medicações podem ser identificados precocemente durante a avaliação médica. O diagnóstico e o acompanhamento adequados dessas condições são capazes de evitar acidentes e, sobretudo, preservar vidas.

Substituir o exame médico por critérios administrativos rompe com a lógica preventiva que orienta a segurança no trânsito. Bom comportamento ao volante não é sinônimo de boa saúde. Além disso, os custos gerados por acidentes de são significativamente mais elevados quando comparados aos valores investidos na realização do exame médico.

Flexibilizar regras sem considerar esses aspectos é retroceder em conquistas que salvaram vidas e décadas de esforço coletivo.

(Por Eduardo Boger e Fábio Caldana pelo Núcleo de Medicina do Tráfego do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul – SIMERS)

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