Quinta-feira, 01 de outubro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Saúde Colesterol alto e perda visual entram na lista dos 14 fatores de risco para demência

Compartilhe esta notícia:

A lista inclui desde combate ao alcoolismo e ao tabagismo, passando por programas de estímulo a atividades físicas e intelectuais.

Foto: Reprodução
A lista inclui desde combate ao alcoolismo e ao tabagismo, passando por programas de estímulo a atividades físicas e intelectuais. (Foto: Reprodução)

Cerca de 45% dos casos de demência (o declínio de funções cerebrais como memória, raciocínio e linguagem) poderiam ser prevenidos se a população conseguisse eliminar um grupo de 14 fatores de risco, aponta um novo estudo.

O trabalho, que analisou a prevalência global dessa enfermidade mostra o quão associada ela está com outros problemas médicos ou comportamentos nocivos. Com a demência englobando uma série de problemas distintos, que incluem o Alzheimer e a demência fronto-temporal, mas também casos decorrentes de trauma cerebral e outros, a nova pesquisa mostra como a população pode evitar esses problemas de modo mais geral.

Além de avaliar com mais precisão o peso que fatores como déficit educacional, perda auditiva e isolamento social têm na ocorrência desses males cognitivos, os pesquisadores incluíram no mapa dois outros elementos: o colesterol alto e a perda visual. O trabalho está descrito em artigo na revista médica The Lancet.

Cada um dos fatores de risco emerge em fases distintas da vida e contribui um pouco mais para elevar a probabilidade de a demência ocorrer em algum momento. Vários dos problemas que elevam a propensão a doenças cardiovasculares valem também para a demência: obesidade, tabagismo, sedentarismo, álcool em excesso, poluição e diabetes. Um outro transtorno mental, a depressão, eleva também o risco de problemas cognitivos.

O resultado do trabalho, que buscou um consenso entre especialistas para entender correlação demência com elementos diversos, implica que quase metade dos casos da doença podem ser evitados, em teoria. O restante deles (55%) se devem a causas ainda pouco conhecidas ou a fatores genéticos.

“Essas descobertas dão esperança”, escreveram os cientistas, liderados pela psiquiatra Gill Livingston, do University College de Londres. “Embora mudar seja difícil e algumas correlações possam ser apenas parcialmente causais, nossa nova síntese de evidências mostra como os indivíduos podem reduzir seu risco de demência e como intervenções em políticas públicas podem melhorar a prevenção.”

Apesar de as demências terem uma prevalência maior tipicamente em países ricos com proporção maior de idosos, há grande preocupação com as nações em desenvolvimento. À medida que algumas delas se desenvolvem mais, a população está vivendo mais e se tornando mais propensa ao Alzheimer o outras formas de declínio cognitivo.

O trabalho da comissão identificou que os países mais pobres fazem um trabalho de prevenção pior e têm uma parcela maior de casos “evitáveis” em meio à prevalência geral de demências. Segundo a psiquiatra Cleusa Ferri, professora da Universidade Federal de São Paulo e coautora do estudo, isso é válido também para o Brasil.

“Na versão anterior do trabalho da comissão do Lancet para demência, de 2020, o estudo ainda não incluía os dois fatores de risco novos (colesterol e perda visual), mas já era possível ver isso nos outros 12 fatores”, conta a cientista. “Enquanto mundialmente esses fatores explicavam 40% dos casos, no Brasil, eles explicavam 48%.”

Ferri integra um grupo que está aconselhando o Ministério da Saúde agora em políticas para o setor e diz que deve rever esses números com os dados novos do Lancet e fazer um recorte para a população brasileira. É possível que mais da metade das ocorrências de demência no país venham a se revelar como evitáveis.

No novo estudo do Lancet, os pesquisadores listam não só os fatores de risco, mas as medidas de políticas públicas que ajudam a contribuir para reduzir a prevalência de demências na população. A lista inclui desde combate ao alcoolismo e ao tabagismo, passando por programas de estímulo a atividades físicas e intelectuais, e culmina com um apelo para melhora da educação básica: o fator que pesa durante a vida toda na probabilidade de problemas cognitivos emergirem num indivíduo.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Saúde

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Banco Central anuncia mudanças nos mecanismos de segurança do Pix
Desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso são afastados por causa de “esquema organizado” de venda de sentenças
Pode te interessar