Sábado, 10 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 10 de outubro de 2026
Com a proibição das bets no Brasil, que passou a valer desde o fim de setembro, viciados em apostas e entidade de apoio à dependência dizem que a medida pode ajudar na superação do problema. Eles relatam, porém, aumento do assédio de sites clandestinos nos últimos dias.
Desde a proibição, em 25 de setembro, o governo federal informa ter pedido o bloqueio de 13.241 sites ilegais. O Ministério da Saúde afirma que faz campanha informativa sobre a ludopatia (vício em jogos), além de capacitar 40 mil profissionais do SUS sobre o problema.
“Com o avanço da proibição, plataformas começaram enviar spam em massa. Mais forte do que era antes”, diz o psicólogo Rafael Ávila, fundador da Associação de Proteção e Apoio ao Jogador e consultor do ministério na elaboração de políticas para esse público.
A empresa de tecnologia Besafe criou um aplicativo que bloqueia bets, que vale para plataformas do Brasil e do exterior. Ao baixar o app, o usuário não consegue acessar sites de apostas monitorados pela empresa. Na última semana, foram 840 novos usuários por dia, 68% acima da média da média de 500 do site.
“A gente tinha 200 mil plataformas bloqueadas. Nos últimos 30 dias, bloqueamos 500 mil”, afirma Claudio Henrique, um dos fundadores da Besafe.
O Ministério da Fazenda diz que, dos 188 sites que operavam com autorização até segunda-feira, só um ainda está no ar. O bloqueio já foi solicitado e a fiscalização acompanha o cumprimento da determinação, conforme a pasta.
Segundo Claudio Henrique, os donos de sites legais, por sua vez, têm a capacidade de criar vários domínios diferentes a partir de uma mesma empresa, dificultando o bloqueio definitivo. “O governo derruba um site, mas os caras criam outras mil subunidades e colocam todas para rodar”, afirma.
O psicólogo Rafael Ávila nota que há duas semanas vários pacientes começaram a ter recaídas, a maioria para plataformas chinesas (focados em caça-níqueis). “Não foi exatamente depois da medida, mas quando se começou a falar muito sobre a proibição.”
“Alguns (pacientes recaíram) por causa da proibição; outros porque já tinham feito a autoexclusão do governo (bloqueio do CPF) e não tinham mais acessos às plataformas regulamentadas, mas conheciam as chinesas”, relata.
A reportagem acessou grupos em apps de mensagem onde casas clandestinas são divulgadas de hora em hora. Nos fóruns das bets esportivas, as mensagens são mais numerosas à noite, perto dos horários de partidas de futebol realizadas no Brasil e em outros países da América Latina.
A abordagem costuma ser feita por cambistas, que vendem bilhetes com combinações de resultados de uma relação de partidas específicas.
Nos grupos de cassinos online, o volume dos anúncios costuma ser maior no fim da noite, perto da madrugada. Sempre coloridas, as propagandas prometem lucros fáceis, bônus altos e garantia de dinheiro só pelo ato da inscrição. Tem anunciante que envia até o comprovante do Pix para provar o quanto ganhou no jogo.
Especialistas afirmam que a restrição de oferta no mercado formal ajuda no combate a epidemia de apostas, mas exige políticas de apoio para evitar migração de viciados e evasão de recursos para o mercado informal. (Com informações do Estadão)
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