Terça-feira, 02 de junho de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Brasil Com juro baixo e imóvel barato, empréstimos habitacionais crescem e preços começam a subir

Compartilhe esta notícia:

O setor imobiliário já vinha melhorando antes da pandemia. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Juro baixo, imóvel barato, crédito farto e poupança em níveis recordes diante do medo do futuro causado pela pandemia criaram as condições perfeitas para a retomada mais forte do setor imobiliário no País.

Sinal mais evidente desse movimento aparece no crédito imobiliário para pessoas físicas, que aumentou 44% de janeiro a agosto, chegando a R$ 51,3 bilhões, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Foi a maior alta desde 2015.

E os preços já começam a subir. Segundo levantamento do Índice FipeZap divulgado na semana passada, o valor de venda dos imóveis residenciais aumentou 0,53% em setembro, na comparação com agosto, a maior alta em seis anos. Mas a inadimplência também cresceu. Considerando apenas o financiamento com recursos do FGTS, o atraso nos pagamentos subiu 35% no primeiro semestre ante igual período do ano passado.

“Apesar da pandemia, os números de financiamento imobiliário são positivos. De janeiro a agosto verificamos um aumento do volume financiado de 40% em relação ao mesmo período de 2019, chegando a quase R$ 66 bilhões”, afirma a presidente da Abecip, Cristiane Portella.

Rafael Scodelario, consultor do setor imobiliário, explica que a taxa básica de juros, a Selic, está no menor patamar histórico, em 2%, mal repondo a inflação, o que permite condições favoráveis para a compra financiada da casa própria e atrai investidores que viram os rendimentos dos títulos públicos minguarem com a queda dos juros:

“Durante a pandemia, as pessoas viram o quão importante é ter uma casa. A procura por imóveis residenciais aumentou. Quem pode comprar um imóvel financiado agora deve aproveitar o momento porque os preços estão começando a subir por causa da procura.”

Ele ressalta que a queda na taxa média de juros dos bancos permite que caibam no bolso as parcelas de imóveis maiores e mais caros.

“Quem financiou R$ 200 mil no ano passado, hoje consegue financiar R$ 400 mil. Uma família com uma renda de R$ 3.500, por exemplo, hoje consegue um financiamento em torno de R$ 160 mil a R$ 170 mil reais. No passado, ela conseguiria no máximo R$ 110 mil ou R$ 115 mil. A diminuição dos juros aumentou bastante o poder de compra.”

Efeito home office

A advogada Gabriela Mello comprou um dos 198.924 imóveis financiados nos primeiros oito meses do ano. Com a pandemia, a empresa em que trabalha decidiu adotar o trabalho remoto de modo permanente, o que aumentou a necessidade de ter uma casa melhor:

“O apartamento alugado era uma quitinete, e eu não tinha a estrutura necessária para aderir ao trabalho remoto em período integral. Pesquisei as taxas de financiamento e liguei para a minha gerente do banco, que me explicou que o período era bom para a compra de imóvel. Parcelei em 360 meses, mas pretendo ir quitando com o 13º salário e a liberação do FGTS.”

O setor imobiliário já vinha melhorando antes da pandemia. Com a quarentena, foi derrubado como todas as atividades econômicas, mas já começa retomar, afirma Silvio Campos Neto, sócio e economista da Tendências Consultoria:

“É um setor muito sensível ao custo do financiamento e se beneficiou desse processo contínuo de queda de juros, que também torna o imóvel uma alternativa de reserva financeira.”

As perspectivas continuam positivas para o setor, inclusive pelo comportamento do mercado de trabalho. De modo geral, os que têm mais renda e emprego formal foram menos afetados pelos efeitos econômicos da pandemia, conseguindo manter rendimentos e capacidade de consumo.

Campos Neto afirma que essa parcela está em condições de aproveitar a situação mais favorável ao comprador. Ele alerta, porém, que a situação fiscal comprometida pode ser um freio para o crédito imobiliário.

A poupança está batendo recordes de captação, com o medo das famílias em relação ao futuro por causa da pandemia. Esse movimento também é favorável ao crédito imobiliário, já que a poupança é a principal fonte de recursos.

As taxas de juros mais baixas ajudaram o casal de empresários Sabrina Santos e William Silva a comprar um imóvel melhor sem ultrapassar o orçamento. Depois de muita pesquisa, compraram um apartamento mobiliado e bem localizado:

“Conseguimos financiar 82% do valor do imóvel em 360 meses. Os juros mais baixos permitiram que não só comprássemos um imóvel, mas que pudéssemos comprar o imóvel dos nossos sonhos.”

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Brasil

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

O ministro do Supremo Marco Aurélio Mello mandou soltar quase 80 presos usando mesmo critério do caso do traficante que fugiu do País
Pandemia revela desigualdades raciais, diz estudo
Pode te interessar