Segunda-feira, 25 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 24 de maio de 2026
A exclusão do Brasil da lista de países exportadores de produtos de origem animal à União Europeia tende a ser revertida até 3 de setembro, quando o veto entraria em vigor, segundo representantes diplomáticos dos dois lados. Há, no entanto, exigências técnicas a serem superadas, principalmente, em carne bovina.
A UE e o Brasil estabeleceram um calendário de trabalho. Os europeus querem que o Brasil forneça garantias de rastreabilidade das exportações de carne bovina para o bloco, relataram autoridades diplomáticas de Brasília e de Bruxelas, a fim de recolocar o País na lista.
“Estamos trabalhando muito de perto com as autoridades relevantes do Brasil, de forma construtiva, para resolver essa questão”, disse a embaixadora da União Europeia, Marian Schuegraf, durante conversa no jantar de promoção das indicações geográficas Sabores que Conectam.
Autoridades europeias e brasileiras ouvidas pelo Estadão em caráter reservado disseram que há possibilidade concreta de reversão e pressão por uma solução rápida. O prazo para a exclusão começar é 3 de setembro.
Elas negaram que a decisão tenha viés político ou intenção de fechar o mercado, o que poderá ocorrer na prática, mas reconheceram que o momento da publicação da lista de países exportadores – sem o Brasil –, 11 dias após a acordo Mercosul-UE passar a valer, caiu mal e surpreendeu o governo Lula.
Um integrante da Presidência afirmou que o governo considera legítimas medidas sanitárias. Ele ponderou que os europeus receberam informações em outubro do ano passado, enviados pelo Ministério da Agricultura, e não teriam reagido com pedido de complementação dos arquivos, tampouco relatado que havia inconformidades ou dados insuficientes – por isso o tom de surpresa.
Um diplomata europeu reconheceu que houve uma “tempestade” inicial, que começou a ser contornada. Para um membro do governo brasileiro, houve um grande descuido político, que soou em parte como “malandragem” por causa da proximidade da data de entrada em vigor do acordo Mercosul-UE.
Esse estrategista do governo, porém, não considera que houve intenção de minar os efeitos do acordo e que o comitê técnico responsável pela aprovação da lista não pode passar a imagem aos países parceiros de que toma decisões com viés político.
No dia 12 de maio, a UE divulgou a lista atualizada, após a votação, de países autorizados a exportar para o bloco animais destinados à produção de alimentos e produtos de origem animal. Eles demonstraram seguir as restrições europeias ao uso de antimicrobianos na produção agropecuária. (Com informações do portal Estadão)
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