Terça-feira, 29 de setembro de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Economia Com valorização de 7% no ano, o dólar puxa o preço dos produtos importados

Compartilhe esta notícia:

Com o segundo dia consecutivo de ação do Banco Central (BC) no mercado de câmbio, em mais uma operação de US$ 1 bilhão, o dólar comercial recuou 0,79% na sexta-feira, a R$ 4,299, encerrando a semana com queda de 0,46%. No ano, no entanto, a moeda americana acumula valorização de 7,23%, e essa alta já começa a chegar no bolso do consumidor. As informações são do jornal O Globo.

De acordo com a Associação Brasileira dos Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas (Abba), o aumento médio oscila entre 8% e 12% para queijos, vinhos e gêneros alimentícios em geral.

O BC ofertou na sexta 20 mil contratos de swap cambial (operação que equivale a uma venda de dólar no futuro) no mercado, no total de US$ 1 bilhão. Foi a mesma medida adotada na quinta-feira, quando o dólar atingiu R$ 4,38 logo pela manhã.

“Essas atuações recentes, porém, não são para ditar um novo patamar para a moeda americana. A atuação do BC está relacionada a uma correção em meio aos recentes recordes históricos da moeda americana”, disse Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos.

A oferta de contratos de swap cambial não altera o nível das reservas internacionais, atualmente em torno de US$ 360 bilhões. Nos contratos de swap, o BC só perde se, na data de vencimento, a cotação do dólar subir; caso caia, há lucro.

Já as vendas diretas de moeda no mercado à vista reduzem as reservas, pois os recursos saem delas. O BC fez operações de venda no ano passado.

Segundo o presidente da Abba, Adilson Carvalhal Júnior, as empresas que trabalham com produtos importados vinham tentando segurar os repasses, até o momento em que o dólar atingiu R$ 4,15:

“Depois disso, ficou impossível segurar esses reajustes. O reflexo na gôndola vai depender dos estoques das empresas. O avanço da divisa ultrapassou os limites das empresas, que estavam negociando com os fornecedores desde o fim do ano passado.”

Uso de cotação anterior

O Talho Capixaba, com lojas na Gávea e Leblon, na Zona Sul do Rio, negociou com fornecedores o câmbio usado nos últimos contratos, fechados antes do salto recente do dólar, explicou o sócio Daniel Swerts, sem revelar qual é a cotação. Outra estratégia é segurar a margem de lucro.

“Estamos tentando alternativas para segurar os preços. Hoje não há espaço para altas, pois é ruim para o consumidor. Por isso, todos estão fazendo esse esforço, varejo e fornecedores”, disse Swerts.

O Farinha Pura, na Cobal do Humaitá, também negociou com fornecedores a cotação antiga do dólar para comprar itens como vinhos.

“Quando percebemos que o dólar estava subindo, sentamos com os fornecedores e negociamos. Estamos em um momento em que todos têm de fazer um esforço para ativar a economia”, disse Licia Vidigal, diretora executiva do Farinha Pura.

Segundo ela, estratégia semelhante foi feita com outros itens não perecíveis, como biscoitos e chocolates: “Mas há itens em que não é possível fazer estoque, como laticínios e presuntos. Nesse caso, algum reajuste acaba sendo necessário.”

Os vinhos europeus tiveram alta entre 6% e 8%, já que o euro oscilou menos que o dólar. Já os vinhos importados de outros países registraram avanço entre 8% e 12%. As cervejas importadas subiram menos também: até 6%, segundo a Abba.

E nem os sapatos escapam. Segundo Haroldo Ferreira, presidente executivo da Abicalçados, se o dólar continuar no atual patamar, o repasse será inevitável. A moeda americana afeta diretamente o custo de matérias-primas do setor petroquímico essenciais à indústria de calçados.

“O problema é a volatilidade. Isso atrapalha no fechamento dos contratos e na negociação com os fornecedores. O setor, até agora, vem tentando segurar os repasses porque o consumidor não aceita aumento de preço. Mas a questão é até quanto esse dólar vai subir. Assim, vai ter que ser feito esse repasse”, disse Ferreira.

 

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

O governo aperta as regras de cursos para servidores
Detida a mulher que teria recebido vídeos sexuais de político francês
Pode te interessar