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Colunistas Combate ao Suicídio entre Servidores Penitenciários do Rio Grande do Sul

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A criação da Polícia Penal é apontada como um avanço institucional importante. (Foto: Jonathan Silva/Polícia Penal)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

O fenômeno do suicídio entre servidores penitenciários no Rio Grande do Sul é uma questão de saúde pública e de direitos humanos que exige atenção urgente, integrada e contínua. Os profissionais que atuam no sistema prisional enfrentam diariamente condições de trabalho adversas, como sobrecarga de atividades, exposição a situações de risco, estresse crônico, falta de suporte institucional e impacto emocional decorrente das rotinas operacionais. Esses fatores, acumulados ao longo do tempo, podem desencadear sofrimento psicológico profundo, comprometendo a saúde mental e a qualidade de vida desses servidores.

É imperativo que o Estado, as instituições de gestão penitenciária, as entidades representativas da categoria e os órgãos de promoção de saúde adotem uma política pública estruturada de prevenção ao suicídio. Essa política deve contemplar, de forma articulada:

Diagnóstico contínuo das condições de trabalho e dos fatores de risco psicossociais que afetam os servidores penitenciários;

Programas de suporte e acolhimento psicológico, com profissionais especializados e canais de atendimento confidenciais;

Capacitação e formação continuada de gestores e servidores para identificação de sinais de sofrimento, crises emocionais e situações de vulnerabilidade;

Estratégias de promoção de saúde mental no ambiente de trabalho, incluindo espaços seguros de diálogo, redução de estigmas e fortalecimento de redes de apoio;

Monitoramento e avaliação de indicadores de saúde mental, com transparência e compromisso institucional na análise de dados e na definição de ações corretivas.

A morte dos dez policiais penais por suicídio no Rio Grande do Sul é um sinal claro de que práticas e políticas preventivas insuficientes têm custado vidas. Essas perdas não podem e não devem ficar sem resposta efetiva. Tornar essas mortes impunes é perpetuar um quadro de omissão institucional que falha em proteger aqueles que dedicam sua vida à segurança e à manutenção da ordem pública.

Assume-se, portanto, a responsabilidade institucional de enfrentar essa realidade com seriedade e comprometimento. A prevenção ao suicídio é um dever ético e legal que deve ser incorporado à gestão de pessoas e às políticas de saúde ocupacional no âmbito do sistema penitenciário, com prioridade equivalente à segurança física dos servidores.

Somente por meio de ações integradas, baseadas em evidências e centradas no cuidado humano, poderemos construir um ambiente de trabalho mais seguro e saudável para todos os profissionais do sistema prisional, honrando a memória daqueles que se foram e evitando que novas vidas sejam perdidas.

(Neiva Canalli – Diretora de Comunicação do Sindicato da Polícia Penal do RS)

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