Segunda-feira, 15 de junho de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
11°
Mostly Cloudy

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Rio Grande do Sul Comitiva gaúcha manifesta preocupação com proposta internacional relacionada ao cigarro

Compartilhe esta notícia:

(Foto: Freepik)

Representantes do governo gaúcho se reuniram nessa quarta-feira (19) com o embaixador do Consulado do Brasil em Genebra (Suíça), Tovar Nunes, e com membros da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (Conicq), responsáveis por representar o País na 11ª Conferência das Partes (COP11) da convenção-quadro, na mesma cidade europeia.

Durante o encontro, os titulares das secretarias estaduais da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), Edivilson Brum, e de Desenvolvimento Rural (SDR), Vilson Covatti, reforçaram a preocupação com os rumos das discussões internacionais sobre controle do tabaco. Parlamentares e representantes do setor também estavam presentes.

Mesmo sem que a comitiva pudesse acompanhar as negociações dentro da sala oficial, Brum destacou que a presença do grupo é essencial, considerando-se o peso econômico da cadeia produtiva do tabaco no Estado. Segundo ele, o ponto que mais gera apreensão é a proposta de banir filtros de cigarros. A medida, apresentada pelo Brasil sob o argumento de reduzir impactos ambientais, desconsideraria — na avaliação do secretário — os efeitos sociais e econômicos para produtores e municípios dependentes da cultura.

Brum afirmou ainda que o governo estadual pretende atuar como interlocutor direto junto ao o governo federal, defendendo um processo de discussão transparente, técnico e baseado em dados. Ele também criticou o que considera com falta de estratégias técnicas mais consistentes na política antitabagista global.

“A retirada dos filtros não reduziria o tabagismo, e sim ampliaria o consumo de cigarros ilegais, especialmente de origem paraguaia e de fábricas clandestinas. Não é banindo a produção que se combate o tabagismo”.

O secretário também avaliou que os debates da COP11 não avançaram em relação à conferência anterior e que os produtores se sentem desprotegidos, por serem diretamente impactados pelas decisões tomadas nos fóruns internacionais.

Covatti, por sua vez, reforçou a necessidade de defesa dos interesses dos produtores brasileiros diante de propostas desse tipo: “Se a ideia da retirada do filtro prosperar, 70 mil produtores brasileiros poderão ser eliminados, com efeitos devastadores para suas famílias e para a economia de inúmeras regiões”.

O titular da SDR corrobora a avaliação do colega da Seapi: “A retirada do filtro não reduzirá consumo algum. Vai ampliar a clandestinidade, a informalidade e o contrabando, causando prejuízos sociais expressivos e fragilizando quem produz dentro da legalidade”.

Ele acrescentou:: “Como secretário de Desenvolvimento Rural, minha responsabilidade é com as famílias que cultivam o tabaco de forma correta, seguindo rigorosamente a legislação brasileira e movimentando a economia dos municípios. Espero que possamos dialogar com a Conicq e construir uma articulação internacional capaz de discutir, com o tempo necessário, o enorme prejuízo econômico e social que essa medida pode trazer.”

O que diz o Inca

Já o Instituto Nacional do Câncer (Inca) defende que o Brasil proíba a comercialização de cigarros com filtros, por ser uma “medida de saúde pública e ambiental urgente e necessária”. O posicionamento está alinhado aos princípios da Convenção-Quadro Sobre o Controle do Uso do Tabaco e visa proteger a saúde da população, desfazendo a falsa percepção de segurança atribuída a esse dispositivo e eliminando uma das principais fontes de poluição plástica do País e do mundo.

“É preciso responsabilizar a indústria do tabaco pelos danos que ela causa e avançar para um futuro livre de tabaco e da poluição plástica que os produtos geram”, resalta o Inca em documento publicado neste mês.

Pesquisas comprovam que esse componente do cigarro representam um risco tanto à saúde pública quanto à proteção ambiental. O texto acrescenta:

“A redução de danos por meio é uma falácia da indústria do tabaco e um artifício de marketing que perpetua a epidemia do tabagismo e gera uma poluição plástica e tóxica de escala global. Evidências revelam que os filtros não protegem os fumantes, podem aumentar o risco de doenças e são uma fonte massiva de contaminação ambiental”.

(Marcello Campos)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Rio Grande do Sul

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

Caxias do Sul inaugura primeira fase da revitalização de sua tradicional Estação Férrea
Achados da Feira do Livro: Um Trem para Varanasi
Pode te interessar