Segunda-feira, 06 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 6 de julho de 2026
Acusado de provocar filas de horas em aeroportos e fazer aviões partirem com apenas metade dos passageiros, o novo controle de passaporte da União Europeia fez o setor aéreo elevar o tom contra Bruxelas.
Em carta endereçada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, representantes do setor aéreo afirmam que o problema atingiu um “ponto crítico” e projetam um caos ainda maior se as regras do novo sistema não forem flexibilizadas em julho e agosto, principal período de férias no hemisfério Norte.
“Temos a responsabilidade de alertar que isso resultaria em um agravamento significativo de uma situação já muito difícil para os passageiros”, diz o texto, assinado por ACI Europe (aeroportos), Airlines 4 Europe (companhias) e Iata (Associação Internacional de Transportes Aéreos).
“Desde a implantação total do EES em abril, os tempos de espera no controle de fronteira aumentaram significativamente, chegando agora a até 5 horas durante os horários de pico. Esses atrasos estão afetando milhões de passageiros que entram no Espaço Schengen.”
O EES (Sistema de Entrada e Saída, na sigla em inglês) coleta dados biométricos de viajantes de fora do continente e deverá, no futuro, tornar o processo de verificação mais rápido. Aumenta sobremaneira o controle imigratório, tema sensível para os europeus.
O Espaço Schengen diz respeito ao acordo de livre circulação na Europa (formado por 25 integrantes da UE mais Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein; Irlanda e Chipre ainda não cumprem todas as regras do tratado). Brasileiros, mas também americanos e britânicos, contingente que mais visita o continente, são obrigados a passar pelo novo sistema.
Por enquanto, “o EES está causando graves consequências operacionais, prejudicando os passageiros e colocando as autoridades de fronteira, os aeroportos e as companhias aéreas sob uma pressão insustentável”, diz o setor.
No mês passado, vídeo de uma repórter da CNN que tentava embarcar para Londres no aeroporto de Lisboa viralizou e chamou a atenção para o problema. As imagens mostravam uma fila que serpenteava por diversas alas do Aeroporto Humberto Delgado, que passa por reformas.
Após horas de espera para conseguir alcançar os totens que recolhem dados biométricos, a jornalista registrou outra fila ciclópica para passar pelos agentes de fronteira.
Questionado sobre o alerta das empresas durante o briefing de imprensa da Comissão Europeia, um porta-voz disse que o problema é limitado a apenas alguns aeroportos do bloco, quando “os Estados-membros não conseguem garantir a capacidade operacional necessária”.
Apesar de prometer uma reunião com representantes do setor, a Comissão mantém um posicionamento defensivo sobre o assunto. A carta do setor aéreo lembra que, outro porta-voz da Comissão declarou que o sistema estava “funcionando bem” e que “frequentemente as longas filas não estão relacionadas à operação do EES, mas a condições pré-existentes”.
Segundo relatos ouvidos pela Folha, nas últimas semanas, o problema é recorrente em Lisboa, principal porto de entrada de passageiros brasileiros na Europa. No começo do mês passado, o governo português mobilizou 350 agentes extras para tentar dirimir o problema.
A partir deste fim de semana, o sistema será suplementado por uma verificação exclusivamente manual quando a expectativa de espera nas filas superar 40 minutos. Em entrevista ao jornal O Globo, o secretário português de Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, pediu desculpa aos viajantes brasileiros.
A ANA, concessionária do Aeroporto de Lisboa, recomenda em seu site chegar “com a maior antecedência possível” se o voo for para fora da UE. Agentes de viagem sugerem no mínimo quatro horas.
Atenas também vem registrando problemas com frequência desde a implementação completa do sistema, em abril. No mês passado, 20 passageiros de um voo da Ryanair tentaram invadir o portão de embarque após terem sido liberados pela alfândega em uma espécie de mutirão. A polícia teve que ser acionada.
Grandes hubs, como Paris, Amsterdã e Frankfurt, apresentam até aqui problemas pontuais, mas não a ponto de prejudicar os voos. A preocupação do setor é com o período de férias, quando se espera 40 milhões a mais de passageiros no continente.
“Nem tudo está transcorrendo como esperado durante a implementação do novo sistema, o que tem resultado em filas mais longas do que o habitual no controle de fronteiras”, declarou, por meio da assessoria, o grupo Air France-KLM, que opera 46 voos semanais entre o Brasil e a UE.
“Fomos informados de que essa situação está recebendo total atenção das autoridades e dos demais envolvidos.” (Com informações da Folha de S.Paulo)
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